veja os dez “maiores álbuns brasileiros”

Listas e jornalistas parecem ter sido feitos um para o outro em música, principalmente quando o sotaque em questão é o inglês. Mas essa tradição da revista também sabe ser verde e amarela, e acaba de ser atualizada.

Um novo ranking com “os 500 maiores discos brasileiros de todos os tempos”, cujo top 10 foi lançado esta semana, elegeu o disco “Clube da Esquina” (1972), de Milton Nascimento e Lô Borges, o ápice da discografia nacional

Quem assina o projeto é o jornalista Ricardo Alexandre, criador do grande podcast Discoteca básicaque ouviu 162 especialistas — jornalistas, youtubers, podcasters, músicos, lojistas, produtores – de diversas áreas em busca de um consenso. Cada um fixou 50 álbuns.

O resultado completo dessa árdua tarefa, com textos e edição caprichada, ainda será em forma de livro, que está sendo financiado coletivamente com sucesso no site. Catarse.

Mas vamos ao que interessa. Aqui estão os “vencedores”:

  1. “Clube da Esquina” (1972) – Milton Nascimento e ei Borges
  2. “Terminou choro” (1972) – Novos Baianos
  3. “Chega de Saudade” (1959) – João Gilberto
  4. “Seco e Molhado” (1973) – Seco e Molhado
  5. “Construção” (1971) – Chico Buarque
  6. “A Tábua de Esmeralda” (1974) – Jorge Ben Jor
  7. “Tropicália ou Panis et Circencis” (1968) – Vários
  8. “Transa” (1972) – Caetano Veloso
  9. “Sobrevivendo no Inferno” (1997) – Racionais MC’s
  10. “Elis & Tom” (1974) – Elis Regina e Tom Jobim

E, com a palavra, o criador

Este é um projeto sobre discos canônicos, de grande impacto musical e cultural, inspirado em eleições internacionais. Mas não há cânone no Brasil. Por isso nos impomos o dever de nos basearmos no consenso da crítica. A lista servirá o podcast. E não faria sentido fazer nossa própria lista para o Basic Disco usar
explica à coluna Ricardo Alexandre

Alguns centavos sobre o assunto

Mais abrangente e completo que seus antecessores, o projeto perpetua o legado de três grandes listas do gênero publicadas no Brasil, cada uma com suas peculiaridades e especificidades.

1) O da revista ShowBizz em 1997, focado em discos de pop rock, que ganhou “Cabeça Dinosauro” dos Titãs; 2) O da Revista MTV em 2003, que premiou “Tropicália: ou Panis et Circencis”; 3) E o da revista Rolling Stone em 2007, que elegeu “Acabou Chorare”, de Novos Baianos, o maior disco brasileiro de todos os tempos, status que ainda goza e que parecia intocável.

A julgar pelos dez primeiros lugares da nova lista, no entanto, pouco mudou em relação ao ranking de 15 anos atrás. Embora o esforço fosse ampliar a diversidade e o tamanho do júri, o maior do gênero já reunido no Brasil, a recomendação era evitar a obviedade.

Contracapa e tampa
Imagem: Reprodução

Ou seja, tudo indica que há, sim, um cânone no país

Do top 10 de 2007 – vários jurados de agora votaram na época – oito títulos reaparecem. “Cartola” (1976) e “Os Mutantes” (1968) saem da cabeceira. Entram “Sobrevivendo no Inferno” (1997), dos Racionais MC’s —impossível minimizar a força do rap à luz de 2022— e “Elis & Tom” (1974).

Segundo Ricardo Alexandre, nem tudo é tão óbvio. Surpresas deliciosas e “emocionantes”, que expressam a grandeza da produção musical brasileira, aparecerão em posições intermediárias e inferiores, incluindo artistas a partir do ano 2000.

Mas o que essa lista faria em 2022, quando o consumo de música se tornar mais acessível e fragmentado, com o fim das revistas e do jornalismo especializado reduzido a pó? terabyte?

A ideia é servir como guia do álbum. De certa forma, trata-se de um movimento contracultural em uma época em que as pessoas ouvem música de maneira superficial, porque não têm paciência. A Discoteca Básica traz a ideia de que é preciso parar, concentrar, quebrar o ciclo de frenesi e desespero que se estabeleceu na cultura pop atual.
Ricardo Alexandre

E o conteúdo da lista? O colunista não vai comentar?

Eu poderia classificar a medalha de ouro do “Clube da Esquina” como merecida. Eu poderia escrever que é o reconhecimento de um trabalho que tem se destacado e que está sendo constantemente revisitado. Que agora irrompe numa certa birra que ainda guardava em parte das críticas.

Mas listas são listas. Eles são parciais. incompleto. Eles expressam a visão de um grupo pré-estabelecido de pessoas, com seus critérios e subjetividades, e, portanto, não é uma ciência exata. Não existe “melhor disco”.

Mas isso não significa que eu odeio listas. Pelo contrário. Guias como o de Ricardo Alexandre são faíscas. Sem contar que informações bem estruturadas, precisas, escritas e editadas são hoje um artigo ameaçado de extinção e valem ouro, assim como o conteúdo dos registros.

Por isso, antes de encomendar minha edição do livro, prefiro deixar links para você adquirir também os 10 melhores álbuns e ouvi-los da melhor forma possível, “escuta profunda”: em vinil. Afinal, esta é uma coluna sobre mídia física.

1. Clube da Esquina (1972) – Milton Nascimento e Lô Borges*

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*é a prensagem de 2017 da Polysom, que os compradores relatam que podem apresentar ruído de superfície em toca-discos de boa qualidade. Outras edições disponíveis aqui.

2. Acabou Chorare (1972) – Novos Baianos

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3. Chega de Saudade (1959) – João Gilberto

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4. Seco e Molhado (1973) – Seco e Molhado

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5. Construção (1971) – Chico Buarque

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6. A Tábua de Esmeralda (1974) – Jorge Ben Jor

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7. Tropicália ou Panis et Circencis (1968) – Vários artistas

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8. Sexo (1972) – Caetano Veloso

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9. Sobrevivendo no Inferno (1997) – Racionais MC’s

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10. Elis & Tom (1974) – Elis Regina e Tom Jobim

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E até o próximo digitado!

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