Tesouro Direto: juros prefixados fecham a semana em alta, enquanto os títulos da inflação caem

Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto encerraram a semana com comportamento diferenciado nas taxas.

Os papéis prefixados, que começaram na sexta-feira (13) com taxas mais baixas do que no dia anterior, passaram a oferecer juros mais altos à tarde. A remuneração dos títulos atualizados por índices de preços diminuiu na última atualização do sistema, realizada às 15h22.

“Hoje a curva dos contratos futuros de DI oscila pouco, com variações positivas e negativas em nível inferior a 5 pontos base ao longo da curva”, diz Igor Cavaca, gerente da Warren Asset Management.

Cavaca destaca que os temores recentes dos investidores quanto a uma forte desaceleração da economia mundial decorrente dos aumentos programados das taxas de juros ao redor do globo vêm reduzindo a aposta no nível da inflação global. “Dado o momento atual do ciclo de política monetária, os agentes do mercado começam a mensurar o quanto pode haver um efeito retardado nos aumentos de juros que já ocorreram”, diz o gerente.

A semana foi intensa em indicadores nos Estados Unidos. Os investidores continuam esperando que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, aperte mais fortemente as taxas de juros para domar a inflação.

Na quinta-feira (12), Jerome Powell, presidente do Fed, destacou que controlar a alta dos preços não será fácil e alertou que não pode prometer um “aterrissagem suave” para a economia. Hoje, o mercado acompanha outros líderes da autoridade monetária e seus discursos em eventos, na tentativa de identificar pistas sobre os próximos passos do Fed.

No Tesouro Direto, todos os três títulos prefixados disponíveis tiveram taxas mais altas no período da tarde, chegando a 12,73% ao ano. Foi o caso da Tesouraria Prefixada 2033, com pagamentos de juros semestrais, que pela manhã tinha taxa de juros de 12,68%.

Entre os títulos atrelados à inflação, os maiores juros reais foram pagos pelos títulos do Tesouro IPCA+ 2035 e 2045. Ambos apresentaram rentabilidade de 5,72% ao ano, abaixo dos 5,76% registrados naquela manhã. A menor remuneração foi a do IPCA+ 2026 Tesouraria, em 5,52% ao ano, também inferior aos 5,56% registrados anteriormente.

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que foram ofertados na tarde desta sexta-feira (13):

Taxas ofertadas pelos títulos públicos no Tesouro Direto na tarde de 13.05.2022 (Fonte: Tesouro Direto)

Novos comentários de funcionários do Fed

Autoridades do Federal Reserve (Fed) participaram de diferentes eventos nesta sexta-feira, e cada um de seus discursos foi acompanhado com interesse pelo mercado.

Loretta Mester, presidente do Fed de Cleveland, reafirmou hoje o que Jerome Powell disse semanas atrás: o cenário base para as próximas duas reuniões da autoridade monetária é de alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros.

Mester participou do Fórum Internacional de Pesquisa de Política Monetária, onde disse que não seria até setembro que o Fed seria capaz de avaliar para onde a inflação está indo.

“Os riscos para a inflação permanecem fortemente positivos, especialmente em meio à guerra em andamento na Ucrânia e ao potencial da política de zero Covid da China para interromper ainda mais as cadeias de suprimentos. Serão necessários vários meses de quedas antes que se conclua que a inflação atingiu o pico”, disse ele.

Ela acrescentou que “se até a reunião de setembro as leituras mensais sobre a inflação fornecerem evidências convincentes de que está caindo, então o ritmo de aumentos de taxas pode desacelerar, mas se a inflação não moderar, então um ritmo mais rápido de aumentos de taxas pode desacelerar. podem ser cobradas taxas”.

Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, disse que a velocidade para conter o aumento da taxa de juros depende, em parte, de uma redução nas restrições de fornecimento de energia.

“Espero que tenhamos que fazer menos, e só podemos fazer menos se houver mais oferta”, disse ele, durante um evento sobre energia e inflação organizado pelo Fed de Dallas e Minneapolis.

Reajustes, paralisações e Petrobras

No cenário local, diante do temor do descontrole fiscal, as atenções se voltam para as demandas de readequação do funcionalismo público.

O Banco Central (BC) chegou a enviar ao Ministério da Economia um pedido de aumento de 22% para seus analistas e técnicos, 69,6% para diretores e 78,53% para o presidente do município, informou o jornal. O Estado de São Paulo. Sob pressão, o BC retirou o pedido nesta quinta-feira (12).

Funcionários do BC estão em greve pela segunda vez este ano desde 3 de maio. Segundo a agência, o motivo da retirada foram “inconsistências” no texto.

A proposta causou mal-estar no Ministério da Economia e foi considerada uma “vergonha” por membros da equipe econômica, pois é quase o dobro da inflação nos 12 meses até abril, de 12%. Se aprovada, a medida representaria um aumento de R$ 6 mil no salário de um analista no topo da carreira.

A proposição também foi considerada “desarrazoada” porque o presidente Jair Bolsonaro (PL) já havia anunciado que daria reajuste linear de 5% a todos os servidores e consultou o Judiciário e o Legislativo, que deram o sinal verde. Um aumento de 22% para a equipe do BC provocaria a ira das demais categorias mobilizadas.

Posteriormente, foi divulgado que um ofício assinado pelos 15 superintendentes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pede igualdade para todos os trabalhadores das instituições públicas que integram o “núcleo financeiro” do governo federal. A carta foi enviada ao presidente da CVM, Marcelo Barbosa, nesta quarta-feira (11).

O documento destaca “extrema preocupação com qualquer tentativa de diferenciação entre as carreiras do serviço público, especialmente aquelas que compõem núcleos com instituições cujos mandatos são complementares, como as que compõem o Núcleo Financeiro”.

“Isso pode levar a desequilíbrios e impactos significativos em nossos servidores e, em última análise, no funcionamento regular do Sistema Financeiro Nacional. Nesse sentido, e como integrantes de um sistema, ressaltamos que continuaremos alinhados com ações futuras de mobilização do corpo de carreiras que formam o núcleo de reguladores do sistema financeiro”, diz trecho.

De acordo com nota do Sindicato Nacional dos Servidores da CVM (SindCVM), o ofício assinado pelos superintendentes é mais um passo na mobilização por reajustes salariais. A mobilização já inclui uma “operação padrão”, com redução de 50% nas metas dos servidores, aprovada em reunião do SindCVM.

O descontentamento também cresce entre os caminhoneiros, que voltaram para discutir um paralisação nacional por causa de mais um reajuste no preço do diesel anunciado pela Petrobras.

Vídeos de caminhoneiros viralizam nas redes sociais. Neles, os trabalhadores criticam o fato de o valor total pago nas bombas ultrapassar R$ 5.500, para armazenar pouco mais de 600 litros de combustível. O litro, na região de Barreiras, na Bahia, é vendido por R$ 8,24.

Diante do impacto eleitoral que os aumentos anunciados pela Petrobras podem ter na imagem do presidente Jair Bolsonaro (PL), o representante do país disse ontem (12) que vai recorrer à Justiça para tentar forçar a Petrobras aPETR3;PETR4) para reduzir o preço do combustível.

Ele admitiu, no entanto, que as possibilidades de obter uma decisão favorável são remotas e reclamou da interferência do Judiciário nas medidas governamentais para enfrentar os efeitos da alta inflação.

O presidente abriu guerra contra a petroleira pelos constantes reajustes no preço dos combustíveis, que influenciam no aumento da inflação. Incapaz de interferir na estatal, o presidente-executivo demitiu na última quarta-feira (11) o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

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