Show do Metallica em BH fez a espera de dois anos valer a pena – Cultura

Integrantes do Metallica tocam no Mineir
O quarteto californiano deu um show com teles, lasers, lança-chamas e seus maiores sucessos, aplaudidos por fãs que também se vestiram de roqueiros. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)

Pela primeira vez na história, metaleiros e fãs de música pesada de Belo Horizonte foram agraciados com o som furioso do Metallica, que se apresentou na noite desta quinta-feira (12/5) para um público de mais de 50 mil pessoas.

O show, que foi remarcado duas vezes por conta da pandemia do COVID-19, abalou o Mineiro, com teles, lasers e lança-chamas. Diferentemente da apresentação da banda em Curitiba (5/7) – segunda parada da turnê, que começou em Porto Alegre (5/5) e passou por São Paulo (5/10) antes de chegar à capital mineira -, houve sem eventos incomuns na platéia. Na capital paranaense, uma fé nasceu em plena atuação.

O show em BH marcou o fim da Worldwired Tour no Brasil, originalmente prevista para 2020 e suspensa por conta da pandemia do novo coronavírus.

Depois de dois anos de espera, James Hetfield, Kirk Hammett, Robert Trujillo e Lars Ulrich cumpriram sua promessa e deram o show que seu público esperava, aquecido pelas participações de abertura: Greta van Fleet e Ego Kill Talent.

No início do dia, quem passasse pela Avenida Abrao Caram por volta das 10h da manhã veria uma profusão de roqueiros de caráter (roupas pretas, bandanas na cabeça e pulseiras de couro nos pulsos) por todo o estádio para receber os californianos em um mineiro que ficou lotado.

Apesar da quantidade de pessoas e carros, vans e ônibus na avenida, a chegada ao estádio foi tranquila e a entrada bem organizada. Uma vez dentro do Mineiro, o público enfrentou enormes filas para comprar comida e bebida. Na saída, após o show, o estacionamento enfrentou uma noite de caos, com um engarrafamento que durou quase uma hora e meia e irritou quem tentava chegar em casa.

Quem abriu a noite foi a banda nacional Ego Kill Talent. Os brasileiros vêm se destacando ultimamente, tocando em festivais como Rock in Rio, Lollapalooza (Brasil e Chile), Brixton Academy em Londres e Heineken Music Hall em Amsterdã, e foram elogiados pelo baterista Lars Ulrich em um post no Instagram.

Depois veio o Greta Van Fleet. Devidamente elogiado e conhecido por seus vocais, capazes de atingir as notas mais altas e difíceis com finesse, o vocalista Josh Kiszka e seus irmãos Jake (guitarra) e Sam (baixo), ao lado do baterista Daniel Wagner, mostraram que são mais do que um simples ” moderno Led Zeppelin” (comparando, sejamos honestos, não para todos). A banda abriu com “Built by Nations” e se despediu do palco com seu primeiro hit, “Highway tune”.

A principal atração foi a pica do início ao fim. O Metallica subiu ao palco para “The Ecstasy of Gold”, de Ennio Morricone, a icônica música climática de “Three Men in Conflict” de Sergio Leone, uma música perfeita para criar antecipação – e entregar.

A partir daí, foi emocionante: “Hardwired” foi a primeira das 16 músicas tocadas pelos roqueiros, que incluíram clássicos obrigatórios como “One”, “Sad but true”, “The unforgiven” e “Master of puppets” no setlist . O bis foi com “Fight fire with fire”, “Nada mais importa” e, claro, “Enter Sandman”.

Havia também luzes, lasers e lança-chamas (que aqueceram o mineiro em “Mariposa em chamas”), além de cenários grandiosos e uma tela, visíveis de qualquer ponto da pista.

O público, depois de dois anos de seca, não poupou esforços para gritar junto com James Hetflield, que foi levado a falar abertamente sobre os problemas com o abuso de álcool que enfrentou recentemente. “Se você está passando por um momento difícil, saiba que não está sozinho.”

O momento foi emocionante. Ele ainda recebeu um abraço de seus companheiros de banda e aplausos da platéia, que reconheceu o esforço do artista em superar seus problemas pessoais.

Com certeza foi uma noite inesquecível para o público de BH, que conseguiu segurar a expectativa por dois anos e foi recompensado com um show grandioso e o encontro, pela primeira vez, com uma das maiores bandas de heavy metal do mundo. Agora que James Hetfield e companhia já conhecem o caminho para a capital mineira, espero que voltem mais vezes.

* Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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