Saída de Romildo da disputa por Piratini gera movimentação imediata no cenário eleitoral do RS

A Presidente do Grêmio Romildo Bolzan Júniorde não ser o candidato do PDT ao governo do RS, está causando um rápido movimento no cenário de articulações entre as partes no Estado. Na quinta-feira, quase ao mesmo tempo em que Romildo anunciava sua decisão em entrevista coletiva, o pré-candidato ao governo do PSB, Beto Albuquerque, almoçava com o presidente estadual do PDT, Ciro Simoni. As duas siglas estão em negociações desde setembro. Mas, antes disso, o PSB também tentou uma composição alternativa com a frente partidária formada por PT, PCdoB e PV, com Beto à frente da chapa, de modo a reproduzir a aliança nacional entre PT e PSB consolidada no governo Lula/Alckmin bilhete. O PT do Rio Grande do Sul, porém, não cedeu e manteve a pré-candidatura do deputado Edegar Pretto ao governo. O PDT, por sua vez, precisa de uma plataforma para a pré-candidatura de Ciro Gomes à presidência da República, mas o fato de o nome de Romildo também ser exclusivo da chapa do chefe do governo funcionou como um entrave ao andamento das negociações. .

Agora, nos bastidores, lideranças do PSB e do PDT admitem que, apesar de o PDT ter veiculado que o ex-deputado federal Vieira da Cunha deveria ser o candidato da sigla ao governo estadual, há um grande espaço para a construção do entendimento. Como o PSB não abre mão de sua cabeça de mesa, cresceu a articulação para a nomeação de Vieira como deputado de Beto. Mais do que isso, o PSB também negocia com o PSD gaúcho, que já lançou a pré-candidatura da ex-senadora Ana Amélia Lemos ao Senado. Os socialistas ainda estão em diálogo com o Solidariedade e Avante.

Beto admite negociações com PDT e PSD para a construção da chapa majoritária, mas adota tom cauteloso. Ele diz que tentou de todas as formas ser o candidato do ‘campo progressista’ no RS, mas que o PT do Rio Grande do Sul não aceitou abrir mão da própria candidatura. “Não cabe a mim continuar insistindo se não houver reciprocidade. Respeito, estou trabalhando na construção de outra frente e vou concorrer a governador.” Ele confirma que já conversou com vários líderes do PSD, entre eles o presidente nacional, Gilberto Kassab, em Brasília, e a própria Ana Amélia. “Podemos tomar algumas decisões, com possibilidade de estarmos juntos. Se isso acontecer, obviamente a plataforma do Ciro será definida. Acredito que o anúncio feito ontem por Romildo fortalece o diálogo que já vinha mantendo, e a ideia de composição PSB/PDT, para as próximas semanas. Se isso acontecer, é certo que PDT e PSB, juntos, atrairão outros partidos.”

Dos diálogos com o PSD, o ex-deputado aponta que fica claro que a prioridade do partido no RS é a eleição de Ana Amélia para o Senado. “Se é prioridade do PSD, deve ser nossa também, se a aliança se concretizar. No meu entendimento, PSB, PDT e PSD podem formar uma chapa muito forte, que terá como foco a defesa da democracia no país e a prioridade da educação no RS.” A resposta à presença de Ana Amélia numa eventual composição que se autodenomina campo progressista ou socialista/trabalhista já está pronta. “Não tem problema, Ana Amélia é muito bem-vinda. Primeiro, porque ela é uma admiradora do Ciro Gomes, já falamos muito sobre isso. Segundo, porque esta não é apenas uma eleição de direita-esquerda. É a escolha entre quem sabe ampliar seus relacionamentos para resolver problemas e quem não sabe. Alckmin, que trouxemos para o PSB e que é candidato a vice-presidente de Lula (PT) na corrida presidencial, nunca foi de esquerda e está em uma chapa de esquerda.”

Quanto ao PDT, apesar da procissão explícita do PSB, há lideranças trabalhistas que vêm mantendo conversas com lideranças do MDB e do entorno do pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Souza. A abordagem baseia-se nas relações entre parlamentares dos dois partidos na Assembleia Legislativa e nos antigos laços do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e do ex-governador José Ivo Sartori com os pedestres. Assim como com os socialistas, a entrada do PDT em maioria, entre os que defendem essa tese, seria para ocupar a vice-vaga, já que o movimento para Sartori ser candidato ao Senado se fortalece no MDB. A questão nacional, porém, vem dificultando as negociações.


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