Quantos morrem na Ucrânia? Entenda como contar vítimas – 13/05/2022 – Mundo

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Com 11 semanas, a Guerra na Ucrânia causou pelo menos 3.573 baixas civis, segundo a mais recente pesquisa da ONU. A própria organização, no entanto, admite que os números são subestimados e podem incluir outros milhares de mortos.

Na edição de hoje, explicamos como a contabilização de vítimas em uma guerra é difícil, pode gerar polêmica e pode ser utilizada como estratégia pelos países envolvidos no conflito.

Como contar as vítimas? Nas guerras em curso, o processo envolve a coleta de dados em hospitais, postos de saúde e órgãos oficiais das partes envolvidas no conflito, explica Kimberly Digolin, professora da Unip e pesquisadora da Rede de Pesquisa sobre Paz, Conflitos e Estudos Críticos de Segurança.

  • Os números mais confiáveis ​​geralmente são os divulgados por órgãos internacionais e organizações não governamentais independentes.
  • A principal dificuldade no processo de coleta de dados é a falta de acesso seguro aos locais de conflito.

Na Ucrânia: a maioria das mortes de civis foi causada pelo uso de armas explosivas com ampla área de impacto, como mísseis e ataques aéreos, segundo a ONU.

O pico de mortes foi registrado na 9ª semana do conflito, de 22 a 28 de abril, e pode estar relacionado ao início da guerra Ofensiva russa pelo controle do Donbassregião do leste da Ucrânia.

A número real de vítimas, porém, é muito maior que o oficial, segundo a própria ONU. “Elas [as vítimas] milhares a mais do que os números que damos atualmente”, disse a chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Matilda Bogner.

Há outro dado que não está incluído nas estatísticas de perdas como resultado direto dos bombardeios: o de moradores que morrem por não conseguirem acessar o sistema de saúde durante o conflito.

  • O braço europeu da Organização Mundial da Saúde informa que existe uma “Emergência de saúde” na Ucrânia;
  • Pelo menos 3.000 pacientes crônicos morreram no país desde fevereiro sem tratamento, segundo a ONU.

E os militares? Eles não entram nas estatísticas da ONU. Identificar vítimas nesse grupo seria ainda mais simples, explica o professor de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva.

  • “Os militares são facilmente contabilizados, são alistados, fazem parte de exércitos regulares. Quando param de lutar, o Exército sabe imediatamente.”

Sim mas… Esses dados são quase sempre omitidos. É comum que as forças de ambos os lados se recusem a divulgar suas perdas.

  • “Existe um efeito psicológico negativo em um Exército divulgar seu número de baixas. Isso impacta sua população e o moral da própria tropa”, diz o professor da UFRJ.

Não se perca

Relembre números de vítimas em conflitos ainda em andamento em diferentes partes do mundo:

Mianmar (desde 2021): mais de um ano depois dos militares assumiu o controle do país em um golpe de estado, o conflito interno continua. Até fevereiro, mais de 1.500 mortes foram estimadas.

Iêmen (desde 2014): considerado pela ONU, em 2021, a maior crise humanitária do mundoa guerra no país durou sete anos e matou mais de 300.000 pessoas.

Guerra da Síria (desde 2011): no conflito que começou com protestos e repressão e dura mais de dez anos, as estimativas dos mortos variam. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos confirmou pelo menos 380.000 vítimas até 2021, mas estima que o número pode ser ainda maior e chegar a quase 600.000.

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