Preço médio de usados ​​tem 1ª queda após 21 meses seguidos de alta | Economia

O preço médio dos veículos usados ​​no Brasil sofreu, em abril, a primeira queda após 21 meses consecutivos de alta. Entre os veículos novos, foi registrada a 20ª alta consecutiva. É o que informam os dados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

de acordo com pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, preços médios de carros usados ​​caíram 0,47% de março a abril. O resultado interrompeu uma sequência de alta que começou em julho de 2020.

já o os preços médios dos carros novos subiram 0,44% na mesma comparação, mantendo a tendência de alta dos preços iniciada em setembro de 2020.

No ano, os carros novos ficaram 4,86% mais caros, enquanto os usados ​​subiram 3,36%. Em 12 meses, a alta também foi maior entre os novos: 17,58%, ante 15,48% entre os usados.

Segundo o pesquisador André Almeida, analista da pesquisa realizada pela IBGEesse movimento nos preços é reflexo da crise enfrentada pelo setor automotivo diante da pandemia do coronavírus.

“Com a pandemia, houve a quebra das cadeias produtivas globais e, por conta disso, faltou peças para a produção de carros. Aos poucos, a indústria busca se adequar ao novo cenário de mercado.

A indústria automotiva sofre há meses com a escassez de peças e componentes eletrônicos, o que obrigou empresas como a Volkswagen a conceder férias coletivas nas fábricas para ajustar a produçãoapontou para a Reuters.

Para o pesquisador André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a queda nos preços dos carros usados ​​observada em abril pode ter sido pontual.

“Acho que essa queda de preços em abril é um movimento esporádico. Não é possível concluir por apenas um mês que essa queda de preços seja efeito de juros sobre a demanda, por exemplo”, disse.

Com a fila para entrega de veículos novos aumentando diante da crise enfrentada pelas montadoras, a demanda por veículos usados ​​aumenta cada vez mais.. Diante disso, lembrou Braz, o movimento natural dos preços deve ser de alta, não de baixa.

“O preço é sensível à demanda. Então, se a demanda está subindo, os preços também devem subir”, destacou.

Um dos fatores que podem explicar essa queda de preços registrada em abril, segundo Braz, é o chamado efeito calendário – abril teve menos dias úteis do que março.

“Pode ser que as concessionárias tenham feito algumas promoções para não deixar o consumo cair durante os dois feriados e, em média, os preços caíram um pouco. Um único mês de queda não indica tendência de queda”, enfatizou o economista.

Braz ponderou, porém, que a sequência de juros altos mantida pelo Banco Central para tentar conter a inflação no país tende, nos próximos meses, a pressionar a queda dos preços dos veículos.

“Se os juros estão mais altos, fica mais caro financiar um carro. Isso faria com que a demanda esfriasse e, com isso, os preços caíssem”, destacou o economista do Ibre/FGV.

O efeito dos juros sobre a demanda ainda não foi observado no IPCA. Segundo Braz, isso é evidenciado pelo índice de difusão do IPCA, que passou de 76,13% em março para 78,25% em abril. Esse indicador reflete a dispersão dos aumentos de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados ​​pela IBGE.

“Se mais produtos estão ficando mais caros e esse aumento é maior do que no mês anterior, então não podemos falar em pressão de juros sobre a demanda ainda”, concluiu.

Aumento nas vendas de veículos novos, queda em veículos usados

Apesar da crise enfrentada na produção, a venda de veículos novos registrou, em abril, o melhor resultado do anosegundo dados divulgados pela associação das montadoras, o anfavea.

De acordo com o balanço da entidade, a média diária de vendas foi de 7.750 unidades no mês, um aumento de 0,3% sobre março, e o melhor resultado desde dezembro. Em comparação com abril de 2021, no entanto, as vendas caíram 15,9%. E, na comparação entre quatro meses, o recuo chegou a 21,4%.

A venda de carros usados, por outro lado, caiu em diversas bases de comparação. Segundo dados divulgados pelo Fenabraveque reúne as associações de concessionárias, foram vendidas 675,3 mil unidades em abril, o que representa uma queda de 13,7% em relação a março.

Essa queda, no entanto, seria devido a um efeito calendário, já que a média diária de vendas ficou estável em 35,5 mil veículos e março teve mais dias úteis que abril.

No acumulado do ano, foram negociados 2,68 milhões de carros, o que indica uma queda de 23% em relação aos mesmos meses do ano passado.

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