Post enganoso compara preço da gasolina e ativos de Bolsonaro

Conteúdo investigado: Um cartão com representação gráfica da evolução patrimonial do presidente Jair Bolsonaro (427%) e seus filhos, senador Flávio Bolsonaro (397%), do PL-RJ, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (432%) do PL-SP, frente ao aumento do preço da gasolina (116%).

Onde foi publicado: Facebook

Conclusão do Teste: A postagem que compara a evolução do patrimônio da família Bolsonaro com o aumento do preço da gasolina é enganosa. Os números apresentados na postagem, originalmente feita pelo gabinete do senador Humberto Costa (PT-PE) e posteriormente reproduzidos em diversos relatos, referem-se a diferentes intervalos de tempo. Há indicação do período de um ano apenas no preço da gasolina, o que sugere que os demais números, referentes à família do presidente, também se referem ao mesmo período.

Ao Comprova, o gabinete do senador informou que a origem dos dados são reportagens da imprensa (1, dois e 3) e uma pesquisa realizada pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em conjunto com a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

O aumento de 116% no preço da gasolina que aparece na imagem investigada foi calculado a partir de um período de três anos, de janeiro de 2019 a janeiro de 2022, e não de um ano, como indica o post. A evolução do patrimônio dos políticos ocorreu em períodos diferentes e superiores ao indicado para o crescimento do valor da gasolina.

Os aumentos no patrimônio do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio levam em conta um intervalo de 12 anos (de 2006 a 2018). E a evolução do patrimônio de Eduardo Bolsonaro considera mais um intervalo de tempo, quatro anos, entre 2014 e 2018.

Além disso, as barras do gráfico utilizadas no post são desproporcionais e possuem tamanhos fora do padrão. Como resultado, a interpretação do leitor pode estar incorreta.

Para a Comprova, errôneo é conteúdo que utilize dados imprecisos ou que leve a uma interpretação diferente da intenção do autor; conteúdo que confunda, com ou sem a intenção deliberada de causar danos.

Escopo da publicação: Só no perfil do senador Humberto Costa no Facebook, a publicação alcançou mais de 4.100 reações e 3.400 compartilhamentos até o dia 12 de maio.

O que diz o autor da publicação: O assessor de Humberto Costa destaca que o valor patrimonial da família é atestado por dados públicos, divulgados por veículos jornalísticos, e que a variação de combustível foi calculada pelo Dieese, “órgão insuspeito, que, igualmente, orienta matérias na imprensa”.

Questionado sobre a diferença de períodos a que os números se referem, o que impossibilita comparações, a assessoria reafirmou sua posição. “Todos os dados colocados no cartão têm fontes oficiais declaradas e foram divulgados pela imprensa. Mantemos todas as informações publicadas e contestamos seus ‘cheques'”, diz a nota.

Como verificamos: A equipe do Comprova consultou o banco de dados do TSE, que contém dados sobre a declaração de bens de candidatos a cargos eletivos, e identificou a evolução do patrimônio do presidente e de seus filhos.

Na internet, ele também encontrou artigos que fazem referência a esse crescimento, tanto no Papaiquanto de Eduardo e Flávio Bolsonaro.

O relatório também deu a base de dados da ANP, que apresenta, entre outras informações, o preço médio da gasolina comum desde julho de 2001.

Por fim, o Comprova procurou a assessoria do senador Humberto Costa, que criou o cartão e o postou.

herança da família Bolsonaro

Em cada eleição, municipal, estadual ou federal, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresenta dados detalhados de todos os candidatos que se inscreveram na Justiça Eleitoral e de suas contas eleitorais e de partidos políticos. Segundo a assessoria do senador, eles se basearam na publicação de relatórios, que utilizaram essa base de dados para construir o gráfico.

Segundo as contas do Tribunal, Jair Messias Bolsonaro declarou R$ 433.934,48 em 2006, quando tentava ser eleito deputado federal pela quinta vez. Na disputa pela Presidência da República, em 2018, o candidato afirmou ter um total de R$ 2.286.779,48.

A lista de ativos inclui cinco casas, quatro veículos e ações em bolsa. A riqueza de Jair Bolsonaro cresceu 427% entre 2006 e 2018. O valor é o mesmo utilizado para a postagem no Facebook.

O filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, foi candidato a deputado estadual pelo Rio de Janeiro inicialmente em 2006 e tentou o mesmo cargo nas duas eleições seguintes. Nesse ínterim, entre 2006 e 2014, seu patrimônio passou de R$ 385 mil para mais de R$ 714 mil.

Em 2018, quando se candidatou a senador, informou ao TSE que possuía R$ 1.741.758,15. O valor inclui um apartamento, uma sala comercial e investimentos econômicos. De 2006 a 2018, a riqueza do político aumentou 352,40%. A porcentagem é diferente da utilizada pelo post.

Os dados sobre Eduardo Bolsonaro são mais limitados porque sua primeira candidatura foi em 2014, então só há informações sobre seu patrimônio a partir desse período. Outro matéria que baseou a postagem é do portal UOL e indica que o patrimônio de Eduardo Bolsonaro em 2014 era de R$ 205 mil, equivalente a R$ 262 mil em 2018, ajustado pela inflação.

Nas últimas eleições estaduais, o candidato declarou possuir patrimônio de R$ 1,395 milhão, indicando uma expansão de 432% no período. Com as alterações, o valor está correto. Ao verificar os dados no TSE, o Comprova apurou que o crescimento ultrapassa 580% sem levar em conta os impostos.

preço da gasolina

Os autores da publicação afirmaram que usaram uma pesquisa do Dieese que aparece em um artigo no portal do Yahoo. Trata-se de um levantamento feito pela secretaria em conjunto com a Federação Única dos Petroleiros (Fup), entidade que se declara “entidade autônoma, independente do Estado” e que representa “13 sindicatos filiados”.

Dentro postando em seu site oficial, Fup diz: “Desde janeiro de 2019, início do governo do presidente Jair Bolsonaro, a gasolina teve reajuste de 116%, ante uma inflação de 20,6% no período. No gás de cozinha, o aumento foi de 100,1%, e no diesel, 95,5%, segundo dados da Petrobras, analisados ​​pelo Dieese”. Portanto, o aumento de 116% se refere ao período entre janeiro de 2019 e janeiro de 2022.

Entre 2006 e 2018, o preço médio da gasolina comum passou de R$ 2.559 para R$ 4.447, ou seja, um aumento de 73,77%. Os valores dos combustíveis foram determinados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Nesses 12 anos, o inflação medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 94,29%.

Por que investigamos: Comprova investiga conteúdo suspeito que viralizou nas redes sociais sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. Nesse caso, o alvo da desinformação é o presidente Jair Bolsonaro, pré-candidato à reeleição, e sua família. Conteúdos dessa natureza, que não fornecem dados precisos, são prejudiciais porque confundem eleitores que têm o direito de fazer sua escolha com base em informações corretas.

Outras verificações sobre o tema: O período eleitoral tem sido contaminado por conteúdo de desinformação com frequência. Somente nos últimos dias, o Comprova já se mostrou um vídeo em que Lula chama um funcionário da Petrobras de corruptoque jovem que satiriza militantes de esquerda não é filha de deputado petista é aquele Publicação tira declaração de Djavan sobre Lei Rouanet e apoio a Bolsonaro fora de contexto.

Esse conteúdo foi investigado por Metrópoles e A Gazeta. A investigação foi verificada (revisada) por CBN Cuiabá, Nexo, O Estado de S. Paulo, O Dia, Correio Braziliense, Correio de Carajás, SBT e SBT News. O cheque foi publicado no site do Projeto Comprova em 12 de maio de 2022.

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