Mercado de criptomoedas perde o equivalente a R$ 1 trilhão em 24 horas | Jornal Nacional

Os investidores em moeda digital tiveram uma semana muito instável. Em 24 horas, essas criptomoedas perderam o equivalente a R$ 1 trilhão. E esse nervosismo também foi sentido em outros mercados.

De repente, um tremor abalou os gráficos do mercado de ações do mundo esta semana. Foi como um choque sísmico vindo de “outro universo”, onde ocorre o comércio de criptomoedas.

Um meio de troca inventado pela tecnologia que, antes que a maioria pudesse entender, deixou de passar despercebido.

“Nenhum mercado do mundo está isolado dos demais, porque você tem investidores operando em vários mercados ao mesmo tempo. Em um mercado como este de criptomoedas, houve uma crise, então investidores de outros mercados podem pensar que essa crise vai se espalhar. E esses investidores podem se assustar e vender suas ações para buscar ativos de menor risco, como, por exemplo, títulos do governo americano”, explica o professor da FGV William Eid Junior.

Nas rodas digitais, o ativo mais negociado é o bitcoin, a primeira moeda eletrônica do mercado de criptomoedas. A origem, em 2009, é tão misteriosa quanto a expansão desse sistema sem Banco Central. A ideia de fechar negócios sem intermediários tem seduzido investidores de todo o mundo. Foi uma euforia nos últimos três anos.

Em 2021, o valor de um bitcoin atingiu seu pico, próximo a US$ 70.000.. Começou então uma crise que se aprofundou nos últimos seis meses e reduziu o valor do ativo mais popular, o bitcoin, em 50%.

Esta semana, duas outras criptomoedas, criadas para serem estáveis, com valor atrelado ao dólar, não conseguiram fazê-lo. O preço caiu quase 90%. A segurança do mercado estava em cheque, que perdeu US$ 200 bilhões, ou 20% do valor total em um único dia.

“Vimos uma mudança de atitude, principalmente da FEDque é o Banco Central Americano, e também do mercado tradicional. Com a redução dos estímulos econômicos, que observamos desde a época da pandemia, acabou afetando principalmente as ações de tecnologia, o que também se reflete no mercado de criptomoedas.” diz Orlando Telles, diretor de pesquisa da Mercurius Crypto.

Nenhum outro mercado pede esse nível de abstração. As ações são pedaços de empresas; dólar e euro têm a economia dos países atrás; e os contratos de juros estão ancorados nas decisões dos Bancos Centrais, mas, por definição, as criptomoedas não têm nada a ver com nada concreto no mundo físico.

É até difícil de entender. Por isso, e por ser novo e ainda pequeno em relação aos mercados convencionais, este é o mercado mais volátil de todos.. Ou seja, onde fortes altos e baixos são esperados. Isso aliena um tipo de investidor, mas atrai outro.

No ano passado, uma onda de brasileiros entrou nesta. Camila tem 90% de seu patrimônio investido em criptomoedas.

“Durante esses seis meses, que é o tempo em que estamos sofrendo essa queda, meu patrimônio derreteu 50%”, disse Camila.

“Tenho alguns amigos que sempre falam comigo… O que eles esqueceram de fazer foi apenas separar a parte com a qual poderão conviver no dia a dia, para que não sofram tanto nesse momento de queda e não sejam obrigados a perder naquele momento.”, acrescentou Camila.

A Mercado invisível ainda tentando se recuperar da queda desta semana.

Acho que, antes de pensar em diversificar seu investimento, o primeiro passo é entender o valor e por que você está investindo nele.”, lembra Orlando Telles, diretor de pesquisa da Mercurius Crypto.

“Sempre tem aquela pessoa que comprou por 10 e vendeu por 20. E ele dá o exemplo para todo mundo. Mas todo mundo esquece das pessoas que compraram por 20 e venderam por 10, certo?” diz William Eid Júnior, professor da FGV.

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