McDonald’s: Empresa explica McPicanha sem picanha – 12/05/2022 – Mercado

Os representantes brasileiros das redes de fast food McDonald’s e Burger King enviaram ao senado federal cartas em que rebatem a acusação de propaganda enganosa com seus sanduíches (respectivamente, o McPicanha e o Whopper Ribs). As empresas afirmam que sempre deixaram claro ao consumidor qual era a composição da carne utilizada.

O McDonald’s foi além e afirmou que os brasileiros estão acostumados a consumir e comprar produtos cujos nomes não necessariamente remetem à sua composição.

“O consumidor brasileiro está acostumado a comprar produtos que são identificados por nomes que remetem ao sabor, aroma e experiência que oferecem, e não necessariamente à sua composição”, diz trecho da carta, obtida pelo Folha.

A empresa também afirma que usar um molho com aquele sabor específico de picanha deu mais sabor ao sanduíche do que usar a própria carne. Ele acrescenta ainda que, ao moer a carne do lombo para produzir o hambúrguer, ela perde grande parte de suas propriedades, não transferindo seu sabor característico para o hambúrguer.

Representantes das duas redes de fast food foram convidados a participar de audiência no Senado Federal nesta quinta-feira (12) para explicar os casos. Tanto os responsáveis ​​pelo McDonald’s no Brasil quanto pelo Burger King, no entanto, avisaram os parlamentares que não compareceriam e decidiram enviar cartas com suas justificativas.

A audiência ainda está marcada, a princípio, com a possível participação de representantes do Procon do Distrito Federal, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

No final de abril, O Ministério da Justiça notificou o McDonald’s depois que a rede confirmou publicamente que os lanches de sua recém-lançada linha McPicanha não são feitos com picanha.. Na verdade, o sanduíche é feito com um molho aromatizado.

Consumidores registraram reclamações em série nas redes sociais, a ponto de a rede chegar a para remover o sanduíche do menu por todo o país. Dias depois, porém, anunciou que ele seria reincorporado, mas com um novo nome. Em um vídeo em sua página no Instagram, a gigante do fast food disse que “vaiu” na hora de escolher o nome do sanduíche.

Dias depois, foi a vez do Burger King se ver envolvido em uma controvérsia semelhante.

Na segunda-feira (2), o Procon do Distrito Federal suspendeu a venda na capital federal do lanche Whopper Ribs, que não contém costela. O Burger King afirma que o hambúrguer é feito com ombro de porco e tem “sabor natural de costela”.

Na carta enviada ao Senado, a Arcos Dourados Comércio de Alimentos, dona do McDonald’s no Brasil, reforça que suspendeu a venda de sanduíches da série “Novos McPicanha” assim que viu a polêmica. Disse que agiu com “boa fé e transparência” tanto no desenvolvimento de produtos como na veiculação de campanhas publicitárias.

“Os sanduíches desta nova linha foram desenvolvidos para conter, além do hambúrguer 100% bovino, produzido com cortes selecionados, com o maior tamanho oferecido pela empresa, um molho exclusivo, sabor picanha (com sabor picanha natural desenvolvido pela Kerry do Brasil ) para levar ao consumidor uma experiência ainda mais intensa do sabor da picanha brasileira”, afirma.

O representante do McDonald’s acrescenta que as explicações de que se tratava de um hambúrguer de carne bovina com molho com sabor de picanha estavam em todas as peças publicitárias e até na embalagem do sanduíche.

Por fim, conclui que os consumidores brasileiros estão acostumados a esse tipo de prática.

“Há décadas são comercializados no Brasil produtos que levam o sabor ou aroma que trazem em seu nome, mas que não contêm necessariamente a matéria-prima que dá origem a esse sabor, em sua composição. prática absolutamente comum, com a qual os consumidores estão amplamente acostumados”

A BK Brasil, master franqueada no Brasil da marca Burger King, também destacou que a composição do sanduíche Whopper Costela sempre foi conhecida pelos consumidores e autoridades brasileiras. Ele mencionou que o lanche estava registrado no “Ministério do Meio Ambiente, Agricultura e Pecuária” – na verdade seriam duas pastas, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Seria informado às autoridades, portanto, que o hambúrguer é composto por 95% de carne de porco e o restante são ingredientes condimentares.

“Esclarece-se que o hambúrguer Whopper Rib para carne suína com aroma — e sabor — de costelinha suína. Essa informação durante todo o período de comercialização foi clara e disponível para o consumidor: o sabor era costela, não o corte da carne. costela”. , diz trecho da carta enviada ao Senado.

A empresa também afirma que vários produtos do setor alimentício qualificam seus sabores sem conter a matéria-prima correspondente. Ele cita como exemplo o sorvete sabor morango que não contém a fruta.

O BK Brasil também afirma que a repercussão foi “anormal” e “injustificada” e que causou um “frenesi” na busca de alguns consumidores por nomes de produtos ou propagandas que não condiziam com os ingredientes in natura.

A empresa acrescenta ainda que mudou o nome do sanduíche para Whopper Paleta Suína em nome da transparência e por sua política de manter um diálogo permanente com seus consumidores.

“Portanto, longe de caracterizar confissão de culpa ou assunção de responsabilidade, o BK Brasil tomou essa decisão por respeito ao consumidor”, afirma o texto da carta.

Autor do pedido de audiência, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) ressalta que as justificativas apresentadas pelas empresas não correspondem integralmente aos fatos, tendo em vista que as observações sobre a composição dos hambúrgueres foram de pequeno porte.

“Não podemos tratar o caso como um mero equívoco na campanha publicitária. Em um dos casos, o sanduíche tem o nome de um corte de carne, é divulgado em uma imagem em que o lanche aparece ao lado do mesmo corte e apenas nas letras meninas, muito meninas, aliás, fica esclarecido que se trata de ‘sabor de costela’, contou Folha.

“No outro caso, também em letras pequenas em um banner, está escrito que a campanha é válida para maiores de 12 anos. Qual é o problema para o consumo abaixo dessa faixa etária? a informação sobre os produtos é um princípio que deve nortear todas as ações de quem se propõe a atuar no mercado. É importante que este caso seja tratado com a maior seriedade e que sirva de exemplo. O consumidor brasileiro é exigente e atento “, ele adiciona.

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