Guito Show, o Tibério do ‘Pantanal’, se surpreende ao virar ‘muso’ no 1º papel: ‘No meio de uma ‘galãzada’ | TV e séries

Guito Show reage ao sucesso com jeito de seu primeiro personagem na TV, o peão e guitarrista Tibério do Pantanal. “Eu não esperava nada. ‘Estamos no meio de uma ‘maldita galazada’ lá, os homens mais bonitos que já vi de perto: Leandro Lima, Zé (Loreto), Gabriel (Sater)” , ele lista.

O mineiro ainda analisa: “Acho que é muito por causa do texto, né? O texto do Tibério ajuda muito, porque ele é um personagem calmo e amoroso”. A humildade deve reforçar o fã-clube que só cresce nas redes sociais.

Diogo Brito tem 38 anos e mora em Araxá (MG). Na fazenda do avô, em Lavras, aprendeu a gostar de modas de viola e a curtir a primeira versão do Pantanal, de 1990. Esse gosto acabou lhe garantindo um lugar na versão atual. Antes disso, a vida teve outras reviravoltas inesperadas.

Guito Show diz que já foi epidemiologista de plantas, operador de bolsa, executivo de marketing, vendedor de café e queijo, cantor viajante, e quase faliu… ex-jogador da seleção brasileira. Acompanhe a saga de Guito em capítulos:

  1. Criança fã do Pantanal: “Cresci no campo. Passava os fins de semana na fazenda com meu avô, e foi exatamente lá que vi a novela.”
  2. Perdido na Dinamarca: “Eu era uma criança hiperativa. Fazia pintura, futebol e natação. Aos 18 me formei e não tinha ideia do que queria. Depois fui morar na Dinamarca para me conhecer melhor.”
  3. estudante de agronomia: “Quando voltei, fiz Ciências Sociais em Juiz de Fora. Mas depois mudei para Agronomia. Gostei porque envolvia muito conhecimento.”
  4. Epidemiologista de plantas: “Eu me especializei em epidemiologia vegetal. Fazia laudos de remédios. Eles mandavam os produtos e a gente montava os testes.”
  5. Operador de Bolsa: “Comecei a gostar da área econômica. Saí para a BMF, para ser trader. Negociei dólar e café. Era um tempo corrido nessa vida executiva”.
  6. Executivo: “Depois eu corri para várias empresas. Um amigo de Lavras desenvolveu o produto Lacfree da Verde Campo. Fiquei com ele no comercial até a Coca-Cola comprar a empresa.”
  7. Cantora e vendedora de queijos: “Me decepcionei com a Coca-Cola porque nunca gostei de coleiras. Voltei ao meu sonho, que é morar jogando no Brasil. Também abri um empório em Araxá.”

Guito Show (Tibério) e Bella Campos (Muda) no ‘Pantanal’ — Foto: João Miguel Júnior/Globo

Foi nessa fase, como comerciante de produtos agrícolas e cantor itinerante, que Guito estava antes de cair no “Pantanal”. Até a pandemia chegar, ele não estava insatisfeito em Araxá, com seus dois filhos e a mulher com quem se casou há 15 anos.

“Na Coca-Cola perdia cada vez mais o controle da minha vida, das coisas que gosto de fazer. Já não decidi para onde ia passar as férias, quando podia viajar ou ver minha família. ganha tempo”, ele justifica.

No empório vendia queijo, cachaça, café e azeite do campo. Na música, ele criou um “palco de motor-home”. “É um Rural que vira palco. Vou com meu próprio som, uma solução completa.” Ele visava shows corporativos, festas corporativas.

A pandemia foi um golpe duplo: no comércio e nos shows.

“Na pior fase, só restava encher minha Rural de queijo e cachaça e ir vendendo de porta em porta. Era o que eu fazia antes da novela. com as crianças.

“Eu estava lá na margem, o narizinho já entrando na água”, conta Guito Show sobre a dificuldade financeira.

O capítulo atual: galã ‘Pantanal’

Nesse aperto, Guito viu as notícias sobre o remake que a Globo faria de “Pantanal”. “Nunca esperei ser um Tibério. Mas sabia que poderia participar de uma roda de viola lá, talvez tocar uma música minha, tocar um peão.”

“Então mandei um ‘direct’ no Instagram para Bruno Luperi (autor da novela), mas não obtive resposta”, conta. Na mensagem, ele disse que sabia “de cor” as falas da novela.

Guito esclarece que “de cor” foi uma força de expressão: “Se fosse de ‘Rei Leão’, até saberia de cor”, brinca. Era impossível memorizar tudo, mas ele era íntimo do universo pedestre que assistia nos anos 90, e mais tarde comentado no YouTube.

Mesmo sem a resposta do autor, ele não desistiu. A forma de fazer um teste também precisa de tópicos:

  • primo jogador: “Tenho um primo, o Alemão, que era jogador de futebol. Ele até jogou com Maradona no Napoli (e esteve na seleção brasileira entre 1983 e 1990). Meu apelido é Guito por causa dele. Minhas tias costumavam brincar que ele era o alemão e eu o “Dioguito Maradona”.
  • Ex-mulher do primo jogador: “A ex-mulher do meu primo Alemão é filha do Oswaldo Loureiro, ator que até participou do primeiro ‘Pantanal’ (interpretou Chico Taxista). Peguei o telefone dela com meu primo e perguntei: ‘Como posso participar no teste? Como está a peneira?'”
  • treinador de elenco: “Ela disse que não sabia, mas que iria procurar. Por meio dela, cheguei à Priscila Lobo, que é pesquisadora de elenco”.
  • muitos testes: “Foi uma longa jornada de muitos textos, muitos vídeos”, diz. No total, foram 5 meses antes dele ser… pré-aprovado. A peneira dos diretores estava faltando, é claro.

Guito Show como Tibério do ‘Pantanal’ — Foto: Globo / João Miguel Junior

Mas a saga dramatúrgica funcionou. Ele foi sozinho para as primeiras gravações.

“Cheguei para gravar no Mato Grosso de carro. Levei meu Rural, com muito vinho. Pensei: ‘um lugar que vai ter 30 artistas e não tem bar? Essa gente vai querer vinho. mim.’ Então começamos a fazer aquelas rodas de viola, estava criando um ambiente muito agradável a ponto de, quando foi gravar, eu já estava bem à vontade com os atores”, conta.

“Tive a sorte de começar a gravar lá no Pantanal, que é um habitat familiar para mim. Estou acostumado a viajar e fazer shows em uma fazenda, no meio do mato. De certa forma, eu estava mais em casa do que os próprios atores. ”

Claro, nem tudo foi festa e vinho. “Quando é hora de olhar para a câmera e fazer alguma coisa, isso é outro mundo. Tenho que confessar que deu um frio na barriga. Mas eu estava com Marcos Palmeira, Dira Paes, José Loreto e Juliana Paes, o que me deu uma certa paz de espírito”.

Guito conseguiu passar essa tranquilidade interior para Tibério, que virou ídolo na internet – e em Araxá. “Hoje estou de folga aqui. Quando ando na rua, as pessoas param o carro, tiram fotos no supermercado. Todo mundo reconhece o bigode também. Bastante notável, certo?”

O cara falou com g1 por videochamada de casa, ao lado de uma das crianças. Ele define sua vida depois de deixar o emprego na Coca-Cola como “minimalista”.

“Vou ao supermercado a pé, só ando, não tenho carro. Levo meus filhos para a escola de bicicleta. No Rio pego o metrô ou alugo aquelas bicicletinhas.”

A novela é um impulso para uma carreira na música. Guito é fã do grupo americano Dave Matthews Band e de brasileiros como Tião Carreiro, Almir Sater e Renato Teixeira. Ele diz que prefere “os caipiras” e, no sertanejo, vai para Chitãozinho e Xororó e Leonardo.

Na novela, ele consegue tocar trechos de suas músicas, como “Empatia”.

Por enquanto, ele até se vê desempenhando outros papéis, mas sempre neste universo. “Estou totalmente aberto a essa possibilidade no futuro. É possível conciliar (atuação e música). Mas aspiro mais a esse universo rural, que está relacionado à viola e à música”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.