FUP promete ‘maior greve da história’ se Petrobras for colocada à venda

O coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), Deyvid Bacelar, disse hoje que se o presidente Jair Bolsonaro (PL) ousar “para orientar a privatização da Petrobrasenfrentará “a maior greve da história da categoria petrolífera”.

“Este novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, diz que vai estudar a privatização da Petrobrás e pré-sal, como se a privatização fosse uma solução para baixar o preço do combustíveismas sabemos que não é”, disse o líder do petroleiro no Twitter.

declaração de Sachsida foi proferido na última quarta-feira (11), em seu primeiro discurso no cargo. “Como parte do meu primeiro ato, solicito também o início dos estudos que visam propor as alterações legislativas necessárias à privatização da Petrobras”, disse.

Sachsida também declarou que a privatização era “um norte muito simples”. “Deixo claro que esse objetivo, esse objetivo e essa direção foram expressamente apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro“, ele declarou.

Bacelar, porém, protestou. “Vale a pena lembrar de Bolsonaro, o novo ministro e o novo presidente da Petrobras (José Mauro Ferreira Coelho, que tomou posse em abril) que a categoria petrolífera aprovou o estado de greve no final de 2021, caso o governo ouse orientar [a privatização]”, ele disse.

Os discursos de Bolsonaro

Em outubro do ano passado, Bolsonaro chegou a dizer que a privatização da Petrobras havia entrado no radar do governoretomando uma declaração feita dias antes, quando afirmou que tinha “vontade” de vender a estatal.

Em março deste ano, Bolsonaro prometeu em particular a Adriano Pires, indicado por ele para comandar a estatal — o que não se concretizou —, trabalho para a privatização da Petrobras. Na conversa, o presidente disse que a empresa lhe deu “muito dor de cabeça“.

Os recentes sinais dados por Bolsonaro para privatizar a estatal foram dados em um momento em que a petroleira havia recentemente aumentado os preços dos combustíveis vendidos nas refinarias.

Quando Bolsonaro disse que tinha “vontade” de vender a estatal, Fazia alguns dias que a Petrobras elevava o preço médio de venda da gasolina para as distribuidoras para R$ 2,98 por litro.

E quando o presidente conversou com Pires, o economista foi citado substituir o ex-chefe da estatal, demitido por Bolsonaro dias depois da empresa passar a vender gasolina a R$ 3,86 o litro para distribuidoresapós um novo reajuste.

intercâmbio ministerial

Bolsonaro justificou a substituição de Bento Albuquerque por Sachsida na carteira de Minas e Energia por “um pequeno problema na Petrobras”. Dias antes da partida do ministro, estatal aumentou o preço de venda do diesel nas refinarias para R$ 4,91 por litro.

O aumento ocorreu cerca de uma semana após a Petrobras anunciam lucro líquido recorde de R$ 44,56 bilhões, referente ao primeiro trimestre do anoresultado que foi impulsionado pela alta do preço do barril de petróleo no mercado internacional.

Bolsonaro criticado, pedindo à estatal que reduza sua própria margem de lucro, que considerou “absurda” e “estupro”mas omitiu o fato de o governo ser o principal acionista da empresa – Portanto, é quem engorda o caixa com os resultados.

A atual política de preços da Petrobras, estabelecido por Michel Temer (MDB) e que vincula o valor das vendas de combustíveis nas refinarias às variações do preço do petróleo no exterioré apontado pela crítica como um dos responsáveis ​​pelos aumentos paralelos aos lucros.

Mesmo ter poder sobre a empresa, Bolsonaro disse ontem que irá à Justiça para reduzir os preços dos combustíveis nas refinarias estatais. “Estamos fazendo o possível na Petrobras, sem interferência, para que ela entenda seu papel”, declarou.

“Ao invés de buscar um ‘bode expiatório’ para enganar a população, fingindo preocupação, Bolsonaro deveria assumir o papel de representante e acabar com essa política de preços covarde, que vem levando o povo cada vez mais à miséria”, criticou Deyvid Bacelar.

refinaria privatizada

Segundo cálculos da Abicom (Associação de Base dos Importadores de Combustíveis), o aumento recente do diesel ainda deixa o preço da Petrobras 17% desfasado em relação ao praticado para as distribuidoras no mercado internacional.

Situação diferente, porém, ocorre na Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada pela Petrobras, que o vendeu no final do ano passado: lá, a defasagem é de apenas 1%, fazendo com que a unidade venda um litro de diesel 9,7% mais caro do que o preço cobrado pelo Estado.

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