Dívida: Cadastro Positivo tem superendividamento – 13/05/2022 – Mercado

Uma pesquisa com base em dados dos 130 milhões de consumidores e empresas cadastradas no Cadastro Positivo —tipo de boa lista pagadores— ocupa 42% dos Os devedores como superendividados, ou seja, com dívidas fora de controle.

Outros 13% estão no limite de controle e 24% estão mais próximos de liquidar suas pendências. Há também os desorganizados (21%), aqueles que entram e saem da inadimplência, com mais despesas em dia do que em atraso, segundo classificação feita pela empresa de inteligência de dados Quod.

Os números de Registro Positivoque também possuem dados de crédito bancário e contas de consumo, por exemplo, mostram um aumento de 15% no endividamento total no início do ano em relação ao mesmo período de 2021, confirmando tendência observada em outros indicadores.

Em um cenário de juros altos, inflação alta e queda da renda da população, a inadimplência voltou a crescer e pode representar uma restrição ao consumo de bens e serviços via crédito.

Dados do Banco Central mostram que o índice de dívidas bancárias em atraso há mais de 90 dias cresceu desde julho do ano passado, mas ainda está longe dos picos observados em 2012, 2016 e 2020.

Os números da Serasa, que dão um panorama mais abrangente das dívidas, mostram que o total de devedores está próximo do recorde alcançado no início da pandemia: 65 milhões de pessoas. São R$ 265,8 milhões em dívidas, ou R$ 4.046 por pessoa, com destaque para o percentual de dívidas no cartão (28%), contas do consumidor (23%) e varejo (13%).

As cinco grandes instituições financeiras, que divulgaram seus balanços trimestrais nesta semana, estimam que os números ainda vão piorar este ano, mas devem se estabilizar no segundo semestre.

Na verdade, o Cadastro Positivo começou a ganhar um número significativo de participantes apenas em 2020. Como leva algum tempo para formar um bom histórico de crédito, este deve ser o primeiro momento de alta inadimplência em que a ferramenta estará disponível para melhorar a análise das concessões e cobrança de atrasados.

Dessa forma, segundo ele, é possível identificar um consumidor que não possui dívidas vencidas, mas está fortemente endividado e cuja renda está comprometida pelas renegociações de dívidas vencidas. Ou alguém com o nome em cadastros negativos, mas com baixo endividamento e capacidade de regularizar a situação.

“A gente não só vê quem está em atraso, mas o que está acontecendo com a pessoa que está em atraso. De quem eu cobro, como cobro, como posso conceder crédito melhor, tudo isso é possível com o Cadastro Positivo. Esta é uma diferença [para outros momentos de alta da inadimplência]”, diz Ricardo Thomaziello, responsável pela área de dados da Quod.

De acordo com a análise realizada pela empresa, o aumento do número de devedores ocorreu principalmente nas categorias dos que estão no limite do controle do endividamento e dos que estão próximos de regularizar a situação.

Entre os que já tiveram atrasos no cadastro, 15% migraram para uma situação melhor e 11% para uma situação pior.

Todas as principais instituições financeiras registrou aumento da inadimplência no primeiro trimestre do ano.

Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, afirmou durante a divulgação dos resultados que, em um cenário de altas taxas de juros e inflação, a tendência é que a inadimplência continue com aumentos moderados nos próximos trimestres.

Percepção semelhante foi transmitida pelos presidentes do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, e do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro.

o CEO da Santander BrasilMario Leão, não espera que a tendência de subida da inadimplência continue no mesmo ritmo nos próximos trimestres do ano, mas também afirma que ainda não é possível ver, neste momento, uma melhora mais substancial nos índices.

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