Criminosos não visam mais celulares, mas dados e senhas – 12/05/2022 – Educação

Se você não conhece ninguém que tenha sido vítima de um golpe digital de smartphone recentemente, é porque a vítima foi – ou será – você. A sensação de que vivemos em um Epidemia de roubo de celular e fraude digital tornou-se comum em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o alvo de gangues especializadas não é apenas a qualidade do dispositivo em si, mas o que ele contém: dados e senhas. Em outras palavras: acesso total à nossa vida pessoal e, claro, financeira.

Os casos são bastante expressivos, especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando as relações sociais foram majoritariamente transferidas para o ambiente online. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021, houve uma 165% de crescimento em golpes de engenharia socialaqueles que usam manipulação psicológica para obter dados confidenciais, como senhas de cartão de crédito.

No os tipos de fraude são numerosos. e não param de crescer, mas são ainda mais graves quando envolvem o roubo de aparelhos. Isso porque o dano material só começa com a perda do celular. Se antes saíamos de casa com carteira, relógio e documentos, hoje é possível reunir tudo isso — toda a nossa vida prática — em um único dispositivo móvel. O que vem depois do roubo pode se transformar em martírio para a vítima.

Foi o que aconteceu com Bruno de Paula, 36 anos, cuja história se tornou viral no Twitter nas últimas semanas. Tendo seu smartphone roubado enquanto estava dentro de um táxi, ele teve que enfrentar um limpe suas contas bancárias que resultou no prejuízo de mais de R$ 100 mil reais, mesmo tomando medidas básicas, como entrar em contato com instituições financeiras e a operadora de celular cujos serviços foram utilizados.

Os criminosos vasculharam completamente seu celular, conseguindo inclusive usar um cartão de crédito antigo cadastrado no iFood que Bruno esqueceu de cancelar, tamanho o nervosismo que toda a situação lhe causou. Eles também acessaram seu WhatsApp e tentaram entrar em contato com sua namorada. Após a ampla repercussão do caso, os bancos disseram que vão ressarcir Bruno.

Esse caso é bastante emblemático porque demonstra a proporção que a subtração de um celular pode ter em nossas vidas. O resultado foi satisfatório, mas além de todo o estresse causado, sabe-se que existem milhares de pessoas em situação semelhante que provavelmente não receberão a atenção necessária das empresas que são clientes.

No ano passado, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon) reunir-se com algumas empresas, como operadoras de celular, fabricantes de smartphones e bancos discutir possíveis formas de mitigar os efeitos desses crimes na vida de usuários e clientes.

Embora não vejamos mudanças substanciais que realmente protejam os consumidores, não há outra saída a não ser agir por conta própria. A digitalização das relações sociais e a realidade brasileira, juntas, nos obrigam a buscar procedimentos de segurança digitaljá que ter mais de um celular e sair de casa com o “celular do ladrão”, termo difundido nas redes sociais para definir aparelhos antigos, que não causariam tanto dano se roubados, não é possível para todos.

É necessário, portanto, uma dose de educação digital, para que saibamos utilizar os dispositivos ao nosso alcance com mais segurança e responsabilidade. Portanto, aplicar constantemente a segurança dos aplicativos bancários com tokens, senhas e verificação em duas etapas, além de mantê-los atualizados, é o mínimo.

No caso de senhas especificamente, elas precisam ser fortes e aleatórias – não use a mesma para tudo – e não salve-as em seu telefone. O e-mail para recuperá-los também não deve ser o mesmo cadastrado no dispositivo, e o envio de códigos de validação por SMS não deve estar habilitado. Se você perder o seu celular, você perde o acesso a tudo isso.

Parecem dicas simples, mas é comum percebermos sua importância apenas quando algo grave acontece. Buscar outras medidas de proteção de acordo com os serviços que utilizamos, tanto bancário quanto de telefonia, e buscar informações sobre novos tipos de golpes devem ser hábitos profiláticos a serem incorporados à rotina. Quando muito do que nos importa está contido em um pequeno dispositivo, é preciso saber protegê-lo e, consequentemente, nos proteger.

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