Como uma empresa estatal tirou a Apple do ranking das empresas mais valiosas do mundo

A Apple perdeu sua posição como a empresa mais valiosa do mundo em meio a uma venda maciça de ações de tecnologia.

Nesse cenário, a Aramco, produtora estatal de petróleo e gás da Arábia Saudita, passou para o topo da lista. É a primeira vez que a Aramco ocupa o primeiro lugar desde 2020.

Os investidores têm vendido ações de empresas de tecnologia à medida que avançam para o que consideram ativos menos arriscados.

O Nubank brasileiro, por exemplo, o maior banco digital do mundo, é um dos que vem sofrendo com esse movimento. Desde sua estreia na Bolsa de Nova York, em dezembro do ano passado, suas ações já caíram 60% e a fintech perdeu a posição de banco mais valioso do Brasil e da América Latina.

Bitcoin, outras criptomoedas importantes e os ativos digitais também continuaram a diminuir acentuadamente.

As ações da Apple caíram mais de 5% em Nova York nesta quarta-feira (11/5) – a empresa fechou o pregão com valor de mercado de US$ 2,37 trilhões (R$ 12,2 trilhões).

Como resultado, a gigante da tecnologia perdeu sua posição como a empresa mais valiosa do mundo para a produtora de petróleo e gás Aramco, avaliada em US$ 2,42 trilhões.

As ações dos produtores de energia subiram este ano devido ao aumento do custo do petróleo bruto e do gás natural.

Enquanto isso, as ações da Apple caíram quase 20% no mesmo período após uma venda maciça de ações de tecnologia.

A bolsa de valores americana Nasdaq fechou em queda de 3,2% em Nova York nesta quarta-feira, depois que dados oficiais mostraram que a inflação dos EUA atingiu o maior nível em quase 40 anos.

Os aumentos generalizados de preços têm sido a maior ameaça à recuperação econômica global à medida que o mundo emerge da pandemia de Covid-19.

Os bancos centrais responderam ao problema elevando as taxas de juros, levando os investidores a liquidar ativos mais arriscados em meio a preocupações de que o custo mais alto dos empréstimos possa desacelerar o crescimento econômico.

No Brasil não foi diferente. O Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 12,75% ao ano, o décimo aumento consecutivo.

O movimento para evitar ativos de risco também ajudou a empurrar o preço do bitcoin para baixo. A maior e mais conhecida criptomoeda do mundo perdeu cerca de 60% de seu valor desde que atingiu um recorde em novembro do ano passado.

O Ether, a moeda digital vinculada à rede blockchain ethereum, também caiu drasticamente, perdendo mais de 40% de seu valor na última semana.

Impacto da pandemia

Em janeiro, a Apple se tornou a primeira empresa do mundo a valer US$ 3 trilhões, quase o dobro do PIB brasileiro em 2020 (Produto Interno Bruto, ou soma de bens e serviços de um país). A gigante da tecnologia aumentou seu valor durante a pandemia de Covid-19, pois os gastos com dispositivos aumentaram durante as quarentenas.

Outras empresas de tecnologia também viram a demanda por seus produtos disparar à medida que as pessoas se tornam mais dependentes de smartphones, tablets e laptops. Em um período de pouco mais de 16 meses, o valor de mercado da Apple saltou de US$ 2 trilhões para US$ 3 trilhões.

Enquanto isso, a gigante estatal do petróleo Saudi Aramco se beneficiou do aumento dos preços da energia.

A Arábia Saudita é o maior produtor do cartel de petróleo da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Saudi Aramco mais que dobrou sua receita líquida para US$ 110 bilhões em 2021, acima dos US$ 49 bilhões em 2020.

A reabertura das economias após as medidas de restrição do Covid-19 levou a um forte aumento nas tarifas de energia em 2021, e este ano a guerra na Ucrânia elevou os preços ainda mais, à medida que os países buscam na Rússia alternativas de suprimentos.

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