Como funciona a energia solar por assinatura, o que barateia a conta de luz – 14/05/2022 – Mercado

Com o conta de luz nas alturas e a bandeira tarifária desencadeada durante a maior parte de 2021 Por conta da forte estiagem que atingiu o país no ano passado, o empresário Fredy Rodrigues, dono de duas padarias em Santos, no litoral paulista, buscava uma forma de reduzir seus gastos com energia elétrica.

“Fizemos o orçamento para instalação de painéis solares no telhado. Mas nosso imóvel não é próprio e o investimento seria muito alto”, lembra Rodrigues.

Confrontado com o custo do pão e aluguel pressionado pela inflação e receitas em queda, devido ao fechamento de universidades e prédios comerciais em meio à pandemia, ele então conheceu a energia solar por assinatura.

Com o serviço, ele economizou em média 12% ao mês na conta de luz.

“A conta de luz de uma padaria varia de R$ 12.000 a R$ 20.000 por mês. No verão, temos que ligar todos os ar-condicionados da loja. No inverno, o forno trabalha mais, então gastamos muita energia.” , explica o empresário.

“Com economia de 10% a 15%, são R$ 2 mil a menos por mês de despesas. No ano, estamos falando de R$ 48 mil de economia e uso de energia limpa. Já conversei com a área de marketing da empresa para fazemos essa publicidade, porque estamos no meio de três universidades e as crianças mais novas têm um olhar diferente sobre isso.”

As padarias Fredy’s fazem parte de um pequeno grupo que vem crescendo ano a ano.

Em março deste ano, o Brasil contava com 5.635 unidades consumidoras atendidas por geração solar compartilhada, modalidade que se tornou possível no Brasil em 2015.

Nesse primeiro ano, foram 45 consumidores usando o modelo. Dois anos depois, 376. O número subiu para mais de 1.500 consumidores em 2019 e ultrapassou 5.000 em 2021, com 1.610 unidades geradoras atualmente produzindo energia para atender a esse mercado crescente.

geração solar compartilhada

“A geração compartilhada foi criada em 2015, quando a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) percebeu que a geração solar no Brasil não estava crescendo no ritmo que poderia ter, dado o potencial que temos”, diz Guilherme Susteras, coordenador do grupo de geração distribuída trabalho da Absolar, associação que representa o setor.

“Um dos gargalos identificados na época era que 75% das unidades consumidoras não tinham capacidade técnica para receber sistemas de geração fotovoltaica. pequenas empresas ocupam propriedades de aluguel.”

A experiência internacional serviu de modelo para o sistema brasileiro de geração compartilhada.

Começando na Alemanha, e depois se espalhando pela Europa e Estados Unidos, o modelo de “comunidades solares” era baseado em cooperativas ou consórcios de consumidores, que juntos possibilitavam a instalação de pequenas usinas, compartilhando a energia produzida, mesmo distantes do local . de consumo.

Algumas empresas viram na mudança regulatória, que criou a modalidade de geração remota no Brasil, uma oportunidade de oferecer um novo serviço no país: a energia solar por assinatura.

Conta de luz ‘Netflix’

Foi o caso, por exemplo, da Sun Mobi, empresa criada em 2016 para atuar no segmento, que hoje atende 300 clientes em 27 municípios do Estado de São Paulo.

“Surgiu a possibilidade de colocar o fazenda solar em uma área. Ela gera energia para a distribuidora e essa energia é vendida na forma de créditos, que podem ser descontados em qualquer conta de luz, desde que esteja na mesma área de concessão da distribuidora”, explica Alexandre Bueno, um dos sócios da empresa. .

Por exemplo, uma residência com consumo médio mensal de 200 quilowatts-hora por mês (kWh/mês) na área de concessão da Cemig, distribuidora que atua em Minas Gerais, compra créditos de uma empresa de energia solar por assinatura que também atua em a área. da Cemig.

A empresa contratada “injeta” a energia solar gerada na rede e os créditos são descontados da conta do consumidor. No modelo, o consumidor fica livre da bandeira tarifária — benefício estabelecido pela Aneel para estimular a produção de energia limpa próximo aos locais de consumo.

E, em geral, negocia a energia a um valor vantajoso, em relação àquela comprada da distribuidora, contando também com reajustes previsíveis, conforme o contrato pactuado.

“É como se o cliente tivesse um ‘painel virtual’, em vez de colocar o painel em seu prédioele aproveita a geração da usina remotamente e a distribuidora faz a compensação”, diz Bueno.

“Pensamos então em uma forma de adaptar esse modelo à realidade do consumidor, que hoje assina Netflix, Disney, HBO, de uma forma bem flexível. não paga nada para entrar. Então nesse modelo o cliente não investe nada e passa a usufruir da geração da usina praticamente instantaneamente, em no máximo 60 dias”, diz.

“Estamos trazendo o modelo de streaming para o mercado de energia.”

Segundo Absolar, atualmente cerca de 20 empresas atuam nesse mercado no Brasil, sendo Minas Gerais o estado com maior presença de geração distribuída, que inclui outros modelos de negócios, além da assinatura.

Além de dar acesso à energia solar para quem aluga, em apartamentos ou imóveis com telhados inadequados, o serviço de assinatura também isenta o consumidor dos custos de investimento e manutenção dos painéis.

A associação do setor estima que o investimento típico gira em torno de R$ 15.000 a R$ 20.000 para suprir o consumo de energia elétrica de uma família de quatro pessoas com energia solar, o que geralmente leva de quatro a seis anos para compensar. , com a economia gerada na conta de luz.

Um mercado que está em sua infância, mas com grande potencial

A geração de energia solar é bastante recente no Brasil.

Havia poucos projetos no país até 2014, quando o governo federal realizou a primeiro leilão de energia com a participação da fonte solar fotovoltaica.

Nos leilões, as usinas vendem contratos de energia para distribuidoras, como Enel, Cemig, Light, e essa venda viabiliza a construção de projetos. É o chamado modelo de geração centralizada, cujas primeiras usinas começaram a operar em 2017.

Entre 2015 e 2016, a Aneel criou o modelo de geração distribuída, em que a produção é realizada não em grandes usinas, mas em pequenas unidades geradoras, com capacidade de até 5 MW (megawatts), na própria unidade consumidora ou em localização. .

Desde 2020, a geração distribuída passou a representar a maior fatia da geração solar fotovoltaica no Brasil, representando 67% da capacidade instalada brasileira em março de 2022.

No ano passado, o Brasil foi o quarto país que mais cresceu em capacidade de produção de energia solar fotovoltaica, com 5,7 GW (gigawatts) adicionados, atrás apenas de China, EUA e Índia, segundo levantamento da Agência Internacional de Energias Renováveis ​​(Irena). ).

O país é atualmente o 13º do mundo em capacidade instalada acumulada para essa energia, com perspectiva de entrar no Top 10 nos próximos anos.

Apesar desse crescimento, a energia solar ainda representou apenas 1,7% da matriz elétrica brasileira em 2020, segundo o Balanço Energético Nacional 2021 da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Para Susteras, da Absolar, um dos fatores que explica a participação ainda pequena das fontes solares na matriz elétrica brasileira é o fato de o Brasil ter entrado no segmento mais tarde que outros países.

O país também passou anos sem um marco regulatório para o setor, diz o representante, que em sua opinião foi resolvido este ano com a aprovação da Lei 14.300/22, que estabeleceu o marco legal para microgeração e minigeração distribuída.

“Com segurança jurídica, o mercado de capitais deve se sentir mais à vontade para financiar projetos”, afirma o coordenador.

“Como toda nova tecnologia, há uma curva de adoção natural ao longo do tempo. E à medida que o custo cai e a tarifa de energia sobe, a tecnologia se torna cada vez mais atraente.”

Historicamente, um dos principais gargalos para o desenvolvimento da geração solar no Brasil foi o fato de que a maioria dos equipamentos utilizados são importados e, portanto, possuem custo em dólares.

Susteras observa, porém, que à medida que o mercado ganha escala, o custo da tecnologia vem caindo entre 10% e 15% ao ano. Além disso, o mercado local tornou-se mais especializado, ampliando a oferta de serviços.

Assim, o especialista vê grande potencial para o avanço da geração solar distribuída no Brasil e também para serviços de assinatura voltados para consumidores residenciais e pequenos negócios.

“Esse mercado mal começou, a verdade é que se considerarmos que 75% das pessoas que querem ter energia solar não têm restrições físicas [de seus imóveis]temos uma ideia de quanto esse mercado pode crescer, porque esse é um mercado que não tem restrições — além do geográfico [de o prestador de serviço estar na mesma área da distribuidora que atende o consumidor]”, diz Susteras.

“A energia solar pode ser muito democrática no Brasil. Tem muita gente que nem ouviu falar, que nem sabe que pode ter, mas vai descobrindo aos poucos. É questão de tempo .”

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