Cientistas capturam imagem de buraco negro no centro da nossa galáxia

Cientistas do EHT (Event Horizon Telescope), uma colaboração internacional de radiotelescópios e observatórios, conseguiram capturar a imagem mais nítida já feita de um Buraco negro no meio da Via Láctea, a galáxia onde está localizado o Sistema Solar e, consequentemente, nosso planeta.

O anúncio da imagem de Sagitário A*, como foi batizado o buraco negro, foi feito nesta quinta-feira (12) em um evento internacional com cientistas do EHT e do ESO (European Southern Observatory).

“Ficamos impressionados com o tamanho do anel [do buraco negro] está de acordo com as previsões do Teoria Geral da Relatividade de Einstein“, disse o cientista do projeto EHT Geoffrey Bower em um comunicado de imprensa.

Black Hole Sagitário A* - Reprodução/YouTube - Reprodução/YouTube

Buraco Negro em Sagitário A*

Imagem: Reprodução/YouTube

“Essas observações sem precedentes melhoraram nossa compreensão do que acontece no centro de nossa galáxia e oferecem novos insights sobre como esses buracos negros interagem com o ambiente”, acrescentou.

Por que a imagem parece embaçada?

Quem não acompanha a astronomia de perto pode achar estranha a imagem divulgada pelos pesquisadores, já que ela tem características um pouco embaçadas. Isso porque essa “foto” foi resultado de milhares de capturas feitas, com diferentes orientações de movimento do buraco negro e mudança de pontos brilhantes.

“É como se você quisesse tirar uma foto clara de um cachorro que quer agarrar seu rabo”, disse Chi-Kwan Chan, cientista do EHT, à agência de notícias AFP.

Como os buracos negros não emitem luz, o grande desafio em ter uma imagem deles é capturar a “silhueta” causada pela curvatura gravitacional da luz em extrema gravidade. Por esse motivo, a única maneira de obter uma “imagem” deles é usar o espectro de micro-ondas, combinando o poder de diferentes observatórios.

O que exatamente é um buraco negro?

Resumidamente, os buracos negros são objetos espaciais muito densos com gravidade tão forte que nem a luz nem a matéria podem escapar deles.

Algo que sempre intrigou os cientistas é o estudo de “Horizonte de eventos” ou ponto sem volta, que marca a região entre o espaço e o interior do buraco — uma vez que algo entra lá, não pode mais escapar.

Imagem do observatório ALMA, no Deserto do Atacama (Chile), com perspectiva do buraco negro Sagitário A* - José Francisco Salgado/ESO e EHT - José Francisco Salgado/ESO e EHT

Imagem do observatório ALMA, no Deserto do Atacama (Chile), com perspectiva do buraco negro Sagitário A*

Imagem: José Francisco Salgado/ESO e EHT

Características importantes de Sagitário A*

O que chama a atenção em Sagitário A* é justamente sua proximidade com a Terra. Enquanto o buraco negro M87 descoberto em 2019 (cuja imagem se tornou viral na época) está a mais de 50 milhões de anos-luz da Terra, o do anúncio de hoje está a apenas 27.000 anos-luz de distância.

À esquerda, a imagem do buraco negro M87* descoberto em 2019, e à direita, Sagitário A*, que fica no centro da nossa galáxia - EHT - EHT

À esquerda, a imagem do buraco negro M87* descoberto em 2019, e à direita, Sagitário A*, que fica no centro da nossa galáxia

Imagem: EHT

Sem mencionar que Sagitário A* é muito menor que M87*. O do nosso “quintal” tem 4 milhões de vezes a massa do Sol, enquanto o segundo tem quase 7 bilhões de vezes a massa. Seu tamanho reduzido foi um dos desafios para a captura de sua imagem, que reuniu vários telescópios espalhados pela Terra.

O importante de ter registros dos dois em imagens, em lugares tão distantes e com tamanhos tão diferentes, é justamente entender a diferença de comportamento entre eles.

“Temos imagens de dois buracos negros para que possamos ir muito mais longe nos testes de como a gravidade se comporta nesses ambientes extremos”, disse o cientista do EHT Keiichi Asada em comunicado.

Equipe gigantesca fez parte do recorde inédito

O EHT é uma rede internacional de oito observatórios radioastronômicos, incluindo um localizado na Sierra Nevada (Espanha) e outro no Deserto do Atacama (Chile).

A imagem apresentada é o resultado de várias horas de observação realizadas essencialmente em 2017, além de cinco anos de cálculos e simulações realizados por mais de 300 investigadores de 80 institutos.

O gás circundante precisa de apenas 12 minutos para circundar este objeto galáctico, quase à velocidade da luz, enquanto no caso de M87* leva duas semanas. Isso significa que a luminosidade e a configuração do gás mudaram muito rapidamente durante a observação.

O que vem depois

Os pesquisadores agora estudarão novas teorias e modelos de como o gás se comporta em torno desses buracos negros.

Este é um processo desconhecido e acredita-se que possa ajudar a compreender a formação e evolução das galáxias. Além disso, os especialistas poderão explorar fenômenos como as deformações do espaço-tempo próximo a um objeto supermassivo, previstos na teoria da relatividade geral que Albert Einstein formulado em 1915.

*Com informações da AFP.

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