Brasileiros se destacam e vão à final do Mundial em avião de papel | outros esportes

À beira da Baía de Guanabara, Pedro Capriotti e Isaac Leite decolaram, realizaram um voo perfeito e aterrissaram com sucesso. Seria uma descrição comum se a cena ocorresse na cabeceira do aeroporto Santos Dumont. Mas os “comandantes” em questão, na verdade, são dois estudantes universitários, que pilotaram com sucesso seus aviões de papel no Museu do Amanhã, em um concurso promovido em abril por uma empresa de energia. Campeões da modalidade – disputada em dezenas de países – chegam a Salzburgo, na Áustria, para a final do Mundial, nos dias 13 e 14, no Hangar 7, no aeroporto da cidade.

Avião lançado por Pedro Capriotti deslizou por sete segundos — Foto: Marcelo Maragni / Red Bull

O que para muitos – quase todos – é brincadeira de criança, para Pedro Capriotti, ficou sério. Por recomendação de um amigo, ele aceitou o desafio de se apresentar em uma das 20 eliminatórias do Brasil. Dos 2.500 alunos inscritos, oito se classificariam para a final: quatro na categoria “Maior Tempo de Voo” e outros quatro na “Maior Distância”. O curitibano de 19 anos foi o último, mas se redimiu no Rio de Janeiro ao se sagrar campeão com um voo cronometrado de 7,61 segundos.

– Eu nunca tinha ouvido falar, nem sabia que existia um campeonato de avião de papel. De repente, estava no Rio de Janeiro com tudo pago. Que coisa louca… aproveitei a oportunidade. Fui de lanterninha, porque estava em quarto lugar no Brasil, então não prestei muita atenção, fui participar e fazer amizade com o pessoal. No meu primeiro arremesso, o pequeno avião ficou no ar por um segundo (risos). Na segunda e última tentativa, fiz 7,61s e venci. Foi muito, muito legal. Essa vitória foi uma sensação absurda – disse ao ge.

Museu do Amanhã sediou a final nacional — Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool

Campeão na categoria “Maior Distância”, Isaac Leite disputou a eliminatória em Londrina, onde mora. O estudante de Nutrição decidiu participar do torneio por um simples motivo: sabia que o energético seria distribuído gratuitamente. Ele foi seduzido pelo “open bar”, avançou em segundo lugar e, no Rio de Janeiro, brilhou ao arremessar o aviãozinho de 40,3 metros.

– Para mim, aviãozinho de papel era só para enlouquecer nas aulas dos professores. Mas nada sério como um torneio. Um amigo que me convidou disse que o evento seria ao lado da minha casa e que haveria energia grátis. “De graça? Você pode me deixar estar lá (risos)”. Minha intenção não era participar, fui encontrar com os amigos, curtir, beber energia e ir embora. Decidi nos extras construir um avião e tudo correu bem. Fiquei tranquilo, sem pressão, acho que isso me ajudou. Fui sem grandes expectativas e saí com uma viagem ao exterior. Eu nunca estive nem no Paraguai, tive que fazer um passaporte com pressa para viajar para a Áustria – revelou.

Paranaenses carimbam o passaporte após vencer no Rio — Foto: Marcelo Maragni / Red Bull

Isaac recorreu a vídeos do tema nas redes sociais para ajudá-lo a encontrar a maneira ideal de atirar na gaivota e levá-la o mais longe possível antes que ela pousasse.

– A técnica de arremesso é o que conta mais, além da força ideal. É a combinação desses dois fatores. É manter os 45 graus, não deixar o braço tenso, fazer um movimento de tipoia. Não é forçar demais ou ser rude. É um movimento que vai do início ao fim, o movimento faz toda a diferença. Depois daquele movimento de estilingue, melhorei minha marca. Espero chegar a pelo menos 50 metros na Áustria. Já bati essa marca treinando na rua da minha casa. Vou jogar sério, mas levando o esporte para mostrar que o brasileiro é um povo feliz.

Isaac Leite joga o aviãozinho a 40,3m — Foto: Marcelo Maragni / Red Bull

  • Na final, 171 alunos de 57 países disputam os títulos
  • Campeões voam no avião de performance da empresa
  • Brasil realizou 20 eliminatórias e teve mais de 2.500 inscrições em 2022
  • Diniz Nunes e Leonardo Ang são os campeões brasileiros do evento
  • O evento acontece desde 2006, a cada três anos

Capriotti, que é estudante de Engenharia Elétrica, não elabora muito quando fala sobre suas técnicas. Ele usa o conselho da avó para deixar o aviãozinho pronto para ficar mais tempo no ar e aposta em uma forma nada convencional de decolar.

– Quando o joguei para frente, o avião subiu e desceu rapidamente. Quando decidi atirar de baixo para cima, para trás, me tornei campeão (risos). Pesquisei alguns modelos de aviõezinhos na internet, mas como minha avó sempre fala: tem que deixar os vincos, que são as dobras do avião, bem apertados. E com perfeita simetria dos lados para voar bem. Estou animado para a final. Agora vou vencer, trazer o troféu para casa. É um troféu muito legal. E o campeão tem o direito de voar no avião (performático) da empresa.

Acrobacias ao som de Manu Gavassi

A terceira modalidade em disputa é a Acrobacia. Na etapa brasileira, os participantes atuaram apenas produzindo vídeos pelas redes sociais – e não viajaram para a final no Rio de Janeiro. A campeã, Nicole Straub, de 20 anos, curitibana, porém, se juntará ao restante do Paraná para se apresentar em Salzburg. Ela confessa, no entanto, que o centavo ainda não caiu.

– O meu era um vídeo, que eu tinha que colocar a hashtag, para os jurados assistirem e darem as notas. Fiquei triste no dia e vi um pedido no Instagram dizendo que ganhei a competição, que precisava do meu passaporte e meus dados de contato. Achei que era golpe, porque sempre tem (risos). Pensei: “Isso é mentira, não tem nada a ver”. Enviei o print para uma amiga que trabalha na empresa, e ela me disse que era verdade. Comecei a gritar, até agora não consigo acreditar – declarou o estudante de Negócios Digitais.

Nicole, que nunca soube que existia tal competição, usou seu lastro de ginástica artística e seu cachorro, Lui, para produzir o vídeo. Na Europa, ela espera repetir a apresentação – e prolongá-la, afinal, ela tem um minuto de apresentação – mas sob a música Bossa Nossa, da cantora Manu Gavassi.

– Farei o mesmo passo que me fez vencer para te homenagear, mas precisará ser mais longo. Escolhi uma música da Manu, me identifico com ela, gosto dela. Eu queria música brasileira que representasse o país, e a Bossa Nova é atraída pelo pop brasileiro. E combina com a minha apresentação, um estilo de ginástica, uma vibe de circo – declarou a aluna, que conheceu o torneio por meio de uma ação promocional durante uma festa.

Capriotti, Nicole e Isaac vão representar o Brasil no evento — Foto: Arquivo Pessoal

Se até recentemente Nicole nunca tinha ouvido falar da competição, agora, que está na final, espera voar alto.

– A expectativa é muito alta, é um sonho. Acho que todo o combo me motiva, porque sou competitivo. Será uma oportunidade diferente de conhecer pessoas de todo o mundo. Fora do Brasil, só conheço a Argentina, nunca estive na Europa. Espero trazer o troféu para Curitiba. Quero vencer ou pelo menos estar no top 3”, declarou.

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