Bitcoin passa de US$ 30.000 novamente, mas perdas do ano ainda superam 30% | Economia

Bitcoin volta a alta nesta sexta-feira (13), mais uma vez ultrapassando US$ 30.000, seguindo a recuperação dos mercados de ativos tradicionais.

No ano, porém, a criptomoeda ainda acumula queda de mais de 30%, de acordo com dados da CoinDesk. Desde seu maior preço, em novembro do ano passado (US$ 69 mil), a perda é superior a 50%.

Na terça-feira, o Bitcoin caiu abaixo de US$ 30.000 para atingir US$ 29.764em seu sexto dia consecutivo de baixa negociação.

As cotações de moedas digitais possuem por natureza uma variação de cotações muito intensa. E outras criptomoedas como Ethereum, Benence e Solana também perderam valor nas últimas semanas.

Mas, o que explica a recente queda acentuada no Bitcoin?

Bitcoin: saiba o que é e como funciona a criptomoeda mais popular

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Ativos mais arriscados em queda

O preço das criptomoedas acompanhou a queda de ativos mais arriscados, como ações e ações de empresas de tecnologia.

Investimentos mais arriscados e em ações estão sendo afetados pela perspectiva de inflação persistente nos Estados Unidoso que pressiona o Federal Reserve a aumentar as taxas de juros de forma mais agressiva.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) elevou a taxa básica de juros para o intervalo entre 0,75% e 1% — no maior alta em 22 anos e a expectativa é que novos aumentos sejam feitos nos próximos meses.

Taxas de juros mais altas nos EUA tornam os investimentos em títulos do Tesouro norte-americanos mais rentáveis, o que reduz a demanda por ativos mais arriscados e incentiva a migração de capital para ativos considerados mais seguros.

O próprio dólar ganhou força em relação a outras moedas. E com o fortalecimento da moeda, as criptomoedas também tendem a enfraquecer.

A tendência também afeta os títulos das empresas de tecnologia, cujo desempenho se beneficiou de políticas monetárias de juros baixos durante a pandemia. o índice Nasdaqque reúne empresas do setor, caiu 1,5% na semana passada e perdeu 22% no ano.

Criptoativos perdem US$ 800 bilhões em valor de mercado em 1 mês

De acordo com o site de dados CoinMarketCap, as criptomoedas perderam quase US$ 800 bilhões em valor de mercado no mês passado. O valor total do mercado de criptomoedas era de US$ 2,2 trilhões em 2 de abril. Em novembro do ano passado, atingiu um pico histórico de US$ 2,9 trilhões, destaca a agência Reuters.

“O Bitcoin continua altamente correlacionado com condições econômicas mais amplas, o que sugere que o caminho a seguir pode ser difícil, pelo menos por enquanto”, disse o provedor de dados blockchain Glassnode.

Baixa liquidez e sinais de fraqueza nas stablecoins

Em entrevista à Reuters, Matt Dibb, diretor de operações da plataforma de criptomoedas Stack Funds, apontou outros fatores para o declínio do fim de semana:

  • baixa liquidez do mercado de criptomoedas
  • sinais de fraqueza em stablecoins (moedas digitais geralmente apoiadas por dinheiro tradicional e outros ativos)

Terra USD (UST), a quarta maior stablecoin do mundo, perdeu um terço de seu valor na terça-feira ao perder sua atrelagem ao dólar.

A UST é observada de perto pela comunidade de moeda digital, tanto por causa da nova maneira como mantém sua indexação 1:1 ao dólar, quanto porque seus criadores estabeleceram planos para construir uma reserva de US$ 10 bilhões em bitcoins para apoiar a UST. moeda estável. Isso significa que a volatilidade no UST pode potencialmente se espalhar para os mercados de bitcoin.

Para onde pode ir o preço?

Com a volatilidade dos criptoativos, fica difícil projetar qual será a evolução do bitcoin. Em 2021, a criptomoeda caiu temporariamente abaixo de US$ 30.000 em junho e julho, antes de ganhar força novamente e atingir um recorde histórico em novembro de US$ 69.000.

Uma indicação da importância do setor: nos últimos anos, dois países, El Salvador e a República Centro-Africana, adotaram essa moeda como moeda oficial, apesar das críticas de organizações financeiras internacionais. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou que o país aproveitou a desvalorização para comprar mais criptomoedas, adicionando 500 unidades ao seu fundo.

Paralelo a isso, grandes investidores e investidores institucionais, com medo de ficar para trás, também incorporaram criptomoedas em seus portfólios.

Desde a sua criação em 2009, no entanto, o bitcoin se desenvolveu em um contexto de taxas de juros muito baixas. Agora, o Banco Central dos EUA alertou para futuras altas da taxa básica de juros para conter a inflação.

Por que o preço varia tanto?

O que torna o bitcoin tão volátil é a busca por seu valor justo de mercado, já que não há respaldo ou regulamentação por parte dos bancos centrais. As transações são registradas usando a tecnologia blockchain, que registra todos os valores transferidos, quem transferiu para quem e quanto.

Se, por um lado, não há autoridade que dita regras ao mercado ou outra moeda que faça referência ao seu preço, também não há proteção para o patrimônio. A segurança é baseada na tecnologia e na aceitação do mercado. Portanto, ele se enquadra na categoria de investimento de alto risco.

Criptomoedas são ativos como real, dólar e euro, mas que circulam apenas em ambiente digital. O Bitcoin é o modelo mais importante, representando quase 40% do mercado de criptomoedas, mas existem muitos outros, como Ethereum, Litecoin e Ripple.

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