Banco do Brasil (BBAS3) supera projeções já otimistas com resultados e analistas reforçam preferência por estatais; a ação sobe

A expectativa da maioria dos analistas de mercado é que o Banco do Brasil (BAAS3) foi o destaque positivo da temporada de resultados entre os bancos de grande capitalização.

Porém, mais do que isso, o banco estatal conseguiu superar ainda mais as projeções já otimistas do mercado, com muitas casas, como XP e Itaú BBA reforçando a preferência por atuação dentro do setor após a saldo liberado no dia anterior. Com isso, mesmo em um dia de aversão ao risco no mercado, as ações abriram em alta: às 10h09 (horário de Brasília), os ativos BBAS3 subiram 2,01% para R$ 34,98.

O lucro líquido ajustado foi recorde de R$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre de 2022 (1T22), desempenho 34,6% superior ao reportado no mesmo período de 2021. Em relação ao quarto trimestre de 2021 (4T21), o aumento do lucro foi 11,5%. O resultado foi acima das expectativas. O consenso de mercado foi de lucro de R$ 5,34 bilhões, segundo analistas consultados pela Refinitiv; ou seja, superou as projeções em cerca de 24%.

A surpresa positiva pode ser explicada principalmente por menores provisões em relação ao quarto trimestre, embora tenha crescido menos que seus pares na comparação anual. Diferentemente dos rivais privados, o BB elevou a despesa com provisão para perdas esperadas com inadimplência de forma bem menos intensa: subiu 9,3% na comparação anual, para R$ 2,758 bilhões.

As provisões abaixo foram parcialmente compensadas pela menor margem com clientes, uma vez que os custos de captação continuaram pressionados pela alta Selic, destaca o Bradesco BBI em relatório de análise.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido ajustado (ROE) do trimestre subiu 3,1 pontos percentuais para 17,3%, com tendências positivas.

O BB também viu sua carteira de crédito ampliada crescer 16,4% em 12 meses, para R$ 883,5 bilhões ao final de março, com destaque para empresas e agronegócios. A previsão do banco para 2022 é de alta de 8% a 12%. Enquanto isso, de acordo com analistas do BBI, as taxas e opex – despesas operacionais – ficaram dentro das expectativas.

“Destacamos também que o banco apresentou uma leve deterioração na taxa de inadimplência (NPL), mas bem abaixo de seus pares, refletindo a menor exposição ao crédito pessoa física, que se deteriorou no trimestre, enquanto a inadimplência corporativa melhorou e a inadimplência do agronegócio permaneceu estável . estável”, avaliam os analistas. A inadimplência acima de 90 dias foi de 1,89%, ante 1,95% um ano antes e 1,75% no 4T21.

Com isso, o índice de cobertura (que representa a proporção em que a provisão para risco de crédito é capaz de cobrir o crédito vencido) diminuiu, mas manteve-se bem acima de seus pares. O índice passou de 325% em dezembro de 2021 para 297% em março de 2022.

Conforme destacado pelo Bradesco BBI, os números apresentaram tendências positivas, pois refletem a carteira defensiva do banco. “Além disso, como o banco possui um dos maiores índices de cobertura do segmento, conseguiu garantir menores despesas de provisão no trimestre. De fato, embora sua receita tenha permanecido pressionada por taxas de juros mais altas, acreditamos que isso já era amplamente esperado pelo mercado”, ressaltam os analistas.

Eles também apontam que esses resultados anualizados do 1T22 ficaram no topo do guidance de lucro líquido (R$ 23 bilhões-26 bilhões), enquanto as tarifas ficaram acima da faixa de 4,0-8,0% e o opex está no ponto médio (4,0-8,0%).

revise

Analistas do Credit Suisse destacaram possíveis revisões para cima nas estimativas para a empresa após o resultado.

“Acreditamos que existe a possibilidade de revisar o aumento consensual do lucro para 2022, de R$ 23,6 bilhões, atualmente no limite inferior do guidance da empresa de R$ 23-26 bilhões e nossa própria projeção de R$ 24,2 bilhões”, avalia os analistas.

O Crédito reiterou sua recomendação de superação (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 45, potencial de valorização de 31% em relação ao fechamento do dia anterior, avaliando que a ação continua sendo uma das principais opções do banco no setor. , juntamente com o Itaú (ITUB4). “Vemos o Banco do Brasil com a maior assimetria de avaliação do setor no Brasil, especialmente considerando o forte momentum de resultados impulsionado pelo forte desempenho do NII, levando a altos níveis de rentabilidade”, avaliam.

Analistas da XP apontam o lucro de R$ 6,6 bilhões acima do esperado e ainda apontam que, se for feito um exercício anualizando os dados do trimestre, é possível ver que os números “estão correndo acima do guidance”. Assim, eles também veem a chance de uma revisão para cima nas expectativas contidas no consenso de mercado.

No trimestre, ele avalia, a margem financeira atingiu R$ 15,3 bilhões, um aumento de 5,6% em relação ao 1T21 e abaixo do guidance para o ano. “Esse desempenho pode ser atribuído, principalmente, ao maior custo de captação e ao tempo necessário para repassar essas taxas de juros mais altas para as operações de crédito”, avaliam.

O destaque positivo foi o crescimento de 19,6% da carteira de crédito, bem acima do intervalo de 8-12% do guidance, indicando que a demanda por crédito continua forte e deve permitir a recuperação da Margem Financeira Líquida (PLM) por meio do repasse de maior captação custos para novos empréstimos.

Os analistas do XP reiteraram o BBAS3 como a melhor escolha do setor. A recomendação é comprar com preço-alvo de R$ 52, potencial de valorização de 52% em relação ao fechamento do dia anterior.

O Itaú BBA também reforçou a preferência pelas ações do setor bancário. Analistas apontam que a receita líquida de juros subiu apesar das pressões, a receita de serviços foi modesta, mas ainda em linha com as expectativas, enquanto as despesas totais caíram no trimestre.

“Negociando em múltiplos atrativos, o BB deve apresentar o maior crescimento de resultados e a melhor qualidade de crédito entre os grandes bancos sob nossa cobertura. Por isso, continua sendo nossa preferência no setor”, apontam os analistas. O BBA tem recomendação de desempenho superior (desempenho acima da média do mercado) para os ativos BBAS3, com preço-alvo de R$ 44, alta de 28% em relação ao fechamento do dia anterior.

O Morgan Stanley enfatizou que houve crescimento sólido de crédito e taxas, menor custo de risco e gerenciamento de custos eficaz. Quanto ao que também é visto pelos pares do setor, a inadimplência do banco subiu trimestralmente. Dito isto, a taxa de inadimplência ainda caiu ano a ano e permanece bem abaixo dos níveis pré-Covid, disse o banco.

Analistas do Morgan reiteram a recomendação de sobreponderação (exposição acima da média do mercado) para a ação BBAS3, com preço-alvo de R$ 57, ou potencial de valorização de 66,2% em relação ao fechamento do dia anterior, destacando também uma visão otimista sobre os bancos de grande capitalização do Brasil.

Assim, os resultados do BB mais positivos do que o esperado fizeram muitos analistas confirmarem as projeções positivas para o banco estatal. Uma das exceções, porém, é o Bradesco BBI, que segue com recomendação neutra para a ação BBAS3, com preço-alvo de R$ 40, ou potencial de alta de 17% em relação ao último fechamento.

Procurando uma boa oportunidade de compra? Estrategista XP revela 6 ações baratas para comprar hoje.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.