Atleta de 14 anos diz que foi espancado em ‘batismo’ no judô do Flamengo; polícia investiga | judo

O esporte olímpico do Flamengo, mais especificamente o judô de alto rendimento, virou caso de polícia. Um atleta de 14 anos diz que foi espancado dentro do clube no que foi chamado de “batismo” pelos atacantes.

A sede do Flamengo fica na Gávea, Zona Sul do Rio — Foto: Divulgação/Riotur/Alexandre Macieira

A g1 teve acesso ao registro da ocorrência e ao laudo pericial, onde as lesões são detectadas por “ação contundente”, descrita pela vítima na investigação como enforcamento com quimono, nariz tapado, tapas e chutes.

O caso foi registrado em 19 de março deste ano na 22ª Delegacia de Polícia, em Penha, e encaminhado à 15ª DP, na Gávea, bairro onde fica a sede do Flamengo.

A vítima conta que o agressor é o judoca Daniel Nazaré, de 21 anos, morador de Nova Iguaçu. Ele não foi ouvido no momento da investigação.

O laudo do médico legista sobre a perícia tem a descrição que consta também no auto, de que “outro atleta começou a fazer ‘brincadeiras’ agressivas como tapa na cara, beliscar o nariz, enforcamento, em 17.03.2022”, lembrando que a vítima estava nas dependências do clube.

  • “equimose arroxeada medindo cerca de 10mm x 10mm na ponta do nariz à esquerda”;
  • e “escoriação medindo 10mm x 10mm na região temporal esquerda, com crosta hemática”.

Denúncia de corpo de delito aponta lesões corporais em lutador do Flamengo – Foto: reprodução

O documento conclui que há vestígio de lesão corporal por ação contundente, sem risco de vida.

O boletim de ocorrência informa que a vítima pratica judô desde os 3 anos e, desde os 5, treina no Flamengo, sendo graduado na faixa roxa.

Ele também afirmou que, por ser avançado na arte marcial, costuma treinar com atletas mais velhos e mais experientes. A vítima afirmou que já conhecia Daniel Nazaré (faixa preta) e já havia treinado com ele algumas vezes.

A vítima informa que participou do treino previsto para acontecer das 17h às 19h no Flamengo, com a participação de vários atletas mais velhos, sendo ele o único “sub-15” na atividade.

Um trecho do registro detalha a “lesão corporal causada por socos, tapas e chutes” e diz que a vítima quase perdeu a consciência:

“Que durante aquele treinamento, Daniel Nazaré amarrou o quimono no pescoço, imobilizando-o. Que ele pediu para Daniel parar, mas ele não obedeceu. Que enquanto imobilizava o declarante, Daniel deu a cabeça e beliscou o nariz para que ele não que ele quase perdeu a consciência. Que, enquanto ele estava imobilizado por Daniel, outros atletas, que não sabem dizer seus nomes, o espancaram com socos e tapas. Que Daniel continuou a agredir o declarante por cerca de quatro minutos. Que depois que as agressões pararam , Daniel disse que o que tinha acabado de acontecer era uma espécie de ‘batismo’, mesmo que o declarante estivesse treinando há anos no clube. do fato.”

Após as agressões, segundo o laudo pericial, a vítima foi atendida no Hospital Getúlio Vargas. Foi realizada tomografia computadorizada, que não evidenciou alterações. O documento é assinado por Ana Carolina Braz de Lima.

A reportagem entrou em contato com o pai do atleta, que disse não poder prestar declarações. Ele forneceu o telefone do advogado, Jorge Júnior, que disse:

– Por enquanto, a situação está na sede da polícia. Semana que vem, vamos com o pai de [vítima] na delegacia para analisar como está o andamento da investigação. Ainda não temos nenhuma notícia sobre como a delegacia irá proceder. Ele sofreu uma agressão, tem antecedentes criminais, e vamos aguardar para tomar as medidas necessárias. Estamos aguardando a conclusão do inquérito policial.

O que dizem Flamengo e suposto agressor

Também foi tentado contato com Daniel Nazaré por telefone e mensagem, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O Flamengo informou por meio de sua assessoria que o caso foi resolvido internamente e “os dois atletas treinam juntos normalmente”.

O advogado da família da vítima rebateu e negou a versão do clube.

– Nada foi consertado internamente. Chamaram os responsáveis ​​da vítima para conversar. O treinador e os supostos atletas que eu saiba estão normalmente em atividades no clube. Soube pelo responsável da vítima que um dos supostos atletas envolvidos é maior de idade e está disputando torneios pelo clube. Sinceramente, não sei o que eles disseram como “resolvido internamente”. Há um registro de ocorrência feito pelos responsáveis ​​e é para isso que iremos na próxima semana (à delegacia). Quanto ao treino no clube [vítima] estava com muito medo de voltar. Os pais que conseguiram convencê-lo a não abandonar o esporte. Mas ele não quer nenhum vínculo com os envolvidos.

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