As exchanges estrangeiras de criptomoedas apostam tudo no Brasil – e não temam a concorrência – Criptomoedas

Nubank e XP Inc. não são os únicos a começar a explorar o mercado brasileiro de criptomoedas. Em busca de crescimento, bolsas que vão de players menores e desconhecidos a gigantes como a Coinbase, a primeira do setor a abrir o capital na bolsa, olham o país de perto e o apontam como um dos principais alvos de investimentos em os próximos anos.

Sua principal tarefa é encontrar um espaço para conquistar clientes em meio ao domínio do brasileiro Mercado Bitcoin e Binance, que lidera o mercado mundial por volume de negócios e já colocou o Brasil como uma de suas prioridades.

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“O Brasil é muito relevante para a Binance e temos trabalhado em contato direto e constante com as autoridades locais para contribuir com a expansão do segmento de blockchain e criptoativos”, disse a exchange em nota ao comunicado de imprensa. InfoMoney CoinDesk. A exchange anunciou recentemente sua intenção de adquirir a exchange brasileira Sim:paul e, em visita às apis, o CEO Changpeng “CZ” Zhao prometeu escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A Mercado Bitcoin, principal empresa da holding 2TM, a primeira startup do país a alcançar o status de unicórnio no setor de criptomoedas, vem investindo pesadamente desde que recebeu um investimento de US$ 200 milhões liderado pelo Softbank no ano passado. A empresa vem fazendo aquisições que vão desde negociação de criptomoedas para o mercado institucional até tokenização e educação.

A dificuldade em vencer os líderes de mercado até fez a Coinbase pensar. Na tentativa de acelerar sua entrada no Brasil, a maior bolsa dos EUA tentou comprar a 2TM, destacou o Estadão em março. No entanto, o negócio não foi adiante – no mesmo dia em que a notícia foi divulgada, a Coinbase enviou um comunicado de imprensa assinado pela primeira vez como “Coinbase Brasil”.

O cenário competitivo e possível duopólio entre Mercado Bitcoin e Binance, no entanto, não parece afastar as empresas do setor de tentar uma chance no país – mesmo as menores. “No momento, as maiores plataformas como Binance e Mercado Bitcoin são vistas como centralizadas. Prevemos uma aceleração para plataformas descentralizadas sem intermediários”, avalia o Hi, banco digital cripto que chegou recentemente ao país visando um perfil de consumidor mais atento às novidades do setor e que valoriza o DeFi.

De olho no mercado brasileiro, a empresa de Hong Kong planeja contratar um country manager ainda este ano para cuidar da expansão no país e reservou US$ 500 mil em verba de marketing para se tornar uma marca conhecida. A ideia é que o Brasil, junto com a Argentina, se torne um hub da Hi na América Latina.

A estratégia de usar o Brasil como ponto de contato na região é a mesma adotada pela Coinbase. Depois de supostamente não conseguir um acordo para comprar a 2TM, a maior exchange de criptomoedas dos EUA está se concentrando no desenvolvimento de uma força de trabalho qualificada para apoiar os esforços de expansão.

A Cabital, outra bolsa que está dando seus primeiros passos no mercado brasileiro, também não se intimida com a concorrência. “Não temos medo de que o mercado seja monopolizado pela 2TM e pela Binance”, diz a vice-presidente de crescimento e marketing Tina Chu. Apesar de menor, a plataforma aposta em oferecer taxas mais baixas no modelo marketplace, no qual o cliente tem acesso a diversas exchanges, nos moldes do BitPreço brasileiro.

Por que o Brasil virou a bola no mercado de criptomoedas

A chegada de empresas de criptomoedas ao Brasil é motivada pela perspectiva de amplo crescimento de novos usuários no mercado nacional. Apesar de ser o mais populoso da região, o país perde em adoção para Argentina e Venezuela, por exemplo.

“Não é preciso cavar fundo para entender que as criptomoedas estão se tornando cada vez mais importantes para grande parte da população brasileira – especialmente nos últimos 12 meses”, ressalta Hi.

Outra empresa que destaca o potencial do Brasil é a Bitfinex, exchange veterana famosa por fazer parte do mesmo grupo que emite a stablecoin Tether (USDT), a maior do mundo em valor de mercado. “O Brasil é um mercado incrivelmente promissor”, avalia o diretor de tecnologia Paolo Ardoino ao InfoMoney CoinDesk.

“Estamos vendo cada vez mais pessoas começarem a aceitar criptomoedas como meio de pagamento e valor de armazenamento. É também uma excelente alternativa para remessas. As pessoas que trabalham na Europa precisam enviar dinheiro de volta para suas famílias no Brasil e em outros países da América Latina, e estão usando a taxa de câmbio como forma de escapar das taxas de 10 a 12% que os bancos cobram.” executivo.

A Bitfinex não revela detalhes sobre uma possível operação brasileira. Por enquanto, tem presença indireta no país por meio de uma parceria com o novo serviço Swapix, que permite a troca rápida entre reais e USDT via Pix.

Embora o Banco Central argumente que a Pix torna as criptomoedas não mais relevantes para pagamentos, especialistas do setor vão na direção oposta e afirmam que a inovação do BC realmente facilita a adoção de ativos digitais.

“Semelhante ao Pix, as plataformas pessoa para pessoa [ou P2P, de negociação direta entre usuários] permitem que você compre e venda Bitcoin com qualquer pessoa ao redor do mundo. O Bitcoin ficou mais conhecido por todos, mas a narrativa precisa mudar: menos sobre o Bitcoin como ativo de investimento e mais sobre ele como meio de troca”, aponta Renata Rodrigues, gerente global de marketing da plataforma Paxful, especializada em negociação P2P.

A Paxful tem 9 milhões de usuários em todo o mundo e já é popular em outros países da América Latina. Agora, ele abre contratações e promete um time para o Brasil este ano. “Desde um comerciante de pequeno e médio porte que busca um método alternativo de pagamento de bens e serviços, até um imigrante que busca uma forma mais barata de enviar dinheiro de volta para casa, o Bitcoin como meio de troca tem um enorme potencial no Brasil. ”, avalia o executivo.

Tina Chu, da Cabital, destaca ainda que um dos atrativos do mercado nacional é a formulação de um marco regulatório para criptoativos, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados e pode ser sancionado em 2022. “A proposta A legislação visa melhorar a segurança dos investidores e atrair empresas de criptomoedas, pois exige que as exchanges sejam devidamente licenciadas, o que exige a abertura de um escritório local ou a aquisição de uma operadora existente. O Brasil está se tornando um dos lugares mais quentes para criptomoedas.”

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