Anti-inflamatório após Covid reduz risco de morte em 51% – 12/05/2022

Pesquisas não publicadas encontraram uma associação entre ter um condição inflamatória alta durante a fase aguda da hospitalização por covid e risco aumentado de óbito no primeiro ano após a alta hospitalar.

Em pacientes com Covid grave que tiveram essa inflamação no corpo após infecção pelo coronavírus – conhecida como tempestade de citocinas – e isso exigiu suporte de oxigênio ou tratamento para reduzir a inflamação, o risco de morte nos 12 meses após a infecção foi 61% maior do que em pacientes que tiveram uma condição moderada.

No entanto, o estudo também descobriu que a tratamento com anti-inflamatórios nos primeiros 30 dias após a alta hospitalar em comparação com aqueles que não utilizaram tratamento foi associado a uma redução do risco de morte em até 51%.

Os resultados da pesquisa realizada na Universidade da Flórida em Gainesville (EUA) foram publicados na edição desta quinta-feira (12) da revista especializada Fronteiras da Medicina.

Para avaliar quais risco de morte até 12 meses após a alta hospitalar pela Covid, os pesquisadores avaliaram 1.207 pacientes maiores de 18 anos que estiveram internados entre 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021 com diagnóstico confirmado por Covid-19. Exame RT-PCR para o Sars-CoV-2.

Como indicativo de inflamação durante a fase aguda da infecção, os cientistas avaliaram a taxa de proteína C reativa (PCR) no sangue, que é um composto liberado naturalmente no organismo diante de uma resposta imune celular.

Pacientes com um valor de PCR elevado durante a hospitalização eram mais propensos a desenvolver inflamação em outros órgãos e morrer a longo prazo em comparação com aqueles com baixo escore de PCR (taxa de risco ou HR = 1,61). Esse risco foi ajustado para outros fatores, como idade, sexo e presença de comorbidadeso que também pode influenciar o desfecho do Covid.

No caso de pacientes que foram atendidos nos primeiros meses de 2020, antes de serem pandemia oficialmente declaradaos cientistas consideraram que as internações correspondiam ao perfil da Covid e foram posteriormente confirmadas por exame laboratorial.

Além disso, o uso de anti-inflamatórios para tratamento hospitalar, como dexametasona intravenosa ou na forma oral nos primeiros dias após a alta hospitalar, também foi avaliada e esteve associada a uma razão de risco 46% maior para óbito (HR=1,46). Como a dexametasona é usada no tratamento de Covid grave no hospital, os pacientes que receberam o medicamento consequentemente apresentaram valores elevados de PCR.

Assim, os pesquisadores perceberam que o Inflamação elevada na fase inicial foi associado a risco de morte até um ano após infecção por qualquer causa, incluindo sequelas mais graves em vários órgãos do corpomas ao mesmo tempo o tratamento com corticosteroides reduziu pela metade essa probabilidade (HR=0,49).

Segundo Arch Mainous, pesquisador do Departamento de Saúde Familiar e Comunitária da Universidade da Flórida e coordenador do estudo, a ideia de fazer essa comparação surgiu primeiro ao observar como o risco de reinternação até um ano após “recuperação” da Covid era muito maior em pessoas que tinham doença grave.

“Como já havíamos observado a hospitalização como fator determinante para ter Covid de longa duração nas fases 1 e 2 do nosso estudo, buscamos avaliar as diferenças entre quem teve alta inflamação na fase de internação, indicada pela taxa de PCR, em comparação com aqueles que tiveram uma inflamação alta na fase de internação, indicada pela taxa de PCR. pacientes moderados. E foi aí que vimos que a associação da gravidade com a alta resposta inflamatória é clara”, contou Folha.

Para Mainous, a dexametasona intravenosa tem o papel, durante a fase aguda da Covid, de auxiliar a função pulmonar e, como efeito colateral, reduzir a inflamação, diferentemente do tratamento oral após a alta, que só é indicado como anti-inflamatório. “O que vimos é que as pessoas que recebem prescrição de corticosteroides orais nos primeiros dias após a alta hospitalar têm um risco menor de morte”, explicou ela.

pelos milhares de mortes diretamente ligadas ao Coviddiz o médico, todas aquelas que ocorreram um ano após a recuperação da fase aguda e que, segundo ele, não foram avaliados como sendo um efeito de longo prazo da doença, mas outras causas não relacionadas à Covid. “Não estamos focando nesses mortes em potencialo foco é sempre na fase aguda, em tratar e recuperar as pessoas e tirá-las do hospital, mas o que vimos é que esse é o primeiro passo, há uma fase crônica da Covid a ser tratada também”, disse. .

Segundo ele, no entanto, a pesquisa não pretende dizer que todos devem receber a receita do medicamento. “Não quer dizer que todos devam usar corticosteróides, mas com a nossa constatação esperamos que mais ensaios sejam realizados para avaliar outros medicamentos e calcular os efeitos potenciais da inflamação crônica em pacientes após alta da Covid”, ressaltou.

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