Americanas (AMER3) desponta como vencedora do setor após balanço e estoque dispararem, mas analistas ainda reiteram cautela

Reforçando a visão de que é uma empresa vencedora no setor pelo bom sortimento de produtos e recuperação de margens, a Americanas (AMER3) registrou números do primeiro trimestre considerados positivos – e que poderia ser ainda melhor se não fosse o ciberataque que derrubou os sites do grupo por alguns dias em março.

No entanto, o cenário macroeconômico e o maior ceticismo com o aumento da concorrência são fatores que ainda devem limitar um melhor sentimento em relação às ações do setor em geral (incluindo a Americanas) na visão de alguns analistas de mercado. Isso mesmo que a reação de curto prazo do balanço seja positiva, como observado neste pregão: as ações registraram alta de 6,40%, a R$ 24,12, por volta das 10h30 (horário de Brasília) no pregão desta sexta-feira . (13).

Um dos destaques positivos foi o Volume Bruto de Mercadorias (GMV) com alta de 22% ano-a-ano, impulsionado pelo crescimento de 28% nas lojas físicas com a reabertura econômica. O sortimento focado em produtos de menor ticket ofereceu resiliência diante do cenário macro.

O GMV online cresceu 20% em relação ao ano anterior, apesar do ataque cibernético ocorrido em fevereiro, que suspendeu as vendas por 5 dias (a empresa estima que o incidente impactou o crescimento das vendas em 10 pontos percentuais no trimestre).

O Morgan Stanley destaca que os dados de vendas totais ficaram 2 pontos percentuais abaixo da previsão, mas 3 pontos acima do consenso.

Os analistas da XP também destacaram o forte crescimento da receita e a melhora nos níveis de rentabilidade, com a margem bruta melhorando 0,4 ponto ano a ano, apesar da penetração online estável em 77% do GMV, enquanto a margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização sobre a receita líquida) cresceu 1,8 ponto ano a ano, impulsionado pelas sinergias capturadas com a integração entre Lojas Americanas e B2W e pela monetização da Ame Digital.

“Embora o aumento das taxas de juros tenha limitado os ganhos, com a empresa apresentando um prejuízo líquido, no geral vemos um sólido saldo de vendas/margem para a Americanas a partir de 2022”, observam analistas do Morgan Stanley.

A XP também destaca o prejuízo líquido da empresa de R$ 137 milhões devido a maiores despesas financeiras devido a maiores taxas de juros, além de um cash burn de R$ 1 bilhão, devido à sazonalidade do primeiro trimestre aliada ao aumento das despesas com capital (capex).

Para o Bradesco BBI, o desempenho superior no crescimento do e-commerce GMV em relação a dois dos três pares de Americanas comprova a diversificação do sortimento, o que deve ajudar a empresa a manter um crescimento resiliente ao longo do ano como um todo. .

“Apesar das pressões inflacionárias sobre os custos operacionais, vemos a perspectiva geral de margens como relativamente benigna, uma vez que o setor como um todo está em ‘modo de reconstrução de margem’, então achamos que a Americanas pode entregar o ganho com uma margem Ebitda de cerca de 1 ponto percentual. na comparação anual em relação à projeção consensual”, avalia o BBI.

Cuidado continua

Apesar dos bons números, e mesmo entre aqueles que estão otimistas com a bolsa, o cenário atual é visto como desafiador para as bolsas, que acumularam queda de cerca de 25% em 2022.

O Morgan Stanley, por exemplo, destaca que a integração da Americanas continua avançando, com uma rede de distribuição completa e unificada e uma gestão reiterando as metas de sinergia. Desde a combinação das operações em janeiro de 2022, a Americanas concluiu a fusão de dados de clientes, estoque unificado e rede logística, e integrou o back office.

“Continuamos acreditando que uma estrutura operacional e de holding simplificada é um aumento positivo para a Americanas”, avaliam. No entanto, levando em consideração o cenário competitivo do e-commerce no Brasil, destacou a seletividade e permanece com recomendação de igual peso (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente a neutro), com preço-alvo de R$ 36, ainda um potencial valorização de 59% em relação ao fechamento do dia anterior.

Também atento às condições atuais do mercado, o BBI considera improvável que as ações tenham uma reclassificação de curto prazo (embora destaquem uma reação positiva imediata para o ativo). Assim, mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 39 para o ativo AMER3, ainda com potencial de valorização de 72% em relação ao fechamento do dia anterior.

Para o Credit Suisse, olhando para o futuro, a perspectiva relativamente mais favorável em comparação com os pares permanece em vigor para a Americanas, pois provavelmente continuará a ter um bom desempenho em seu canal físico e vendas online decentes.

“Dito isso, os investidores parecem continuar céticos em relação ao comércio eletrônico, à luz das incertezas no caminho quando se trata de taxas de juros não apenas no Brasil, mas também nos EUA, que afetam os mercados de ações em todo o mundo.” , Avalie. Os analistas, porém, seguem com recomendação de superação (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 36, ou potencial de valorização de 59% em relação ao fechamento de quinta-feira.

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