Ação está prestes a ficar livre, dizem analistas após resultados – Money Times

Banco do Brasil
Banco do Brasil divulgou resultados acima do esperado; analistas veem ação muito barata (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Banco do Brasil (BAAS3) provou, mais uma vez, por que é o preferido de muitos analistas. A empresa conseguiu superar a desconfiança política e apresentou resultados surpreendentes.

Apesar dos números fortes, a ação não disparou, subindo 1,72% por volta das 14h49.

No período, o Banco do Brasil viu seu lucro aumentar 34,6% e totalizou R$ 6,6 bilhõesacima dos R$ 5,3 bilhões esperados Bloomberg.

O número foi puxado principalmente pelos seguintes fatores:

  • forte redução nas despesas de PDD (Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa), com aumento de 27,2% no trimestre;
  • aumento da margem financeira de 3,6% t/t, que sofreu pressão na margem com clientes, mas foi compensada pela tesouraria com as duas linhas sendo influenciadas basicamente pelo aumento da taxa Selic;
  • redução sazonal das despesas administrativas de 3,7% t/t;
  • queda acentuada das despesas nos demais componentes do resultado;

A Interpesquisa lembra que a qualidade do crédito se deteriorou levemente, mas menos do que outros bancos, mantendo a característica defensiva do BB.

Isto é apenas o começo

A Ótimos investimentos defende que as boas tendências levaram o BB a entregar um ROE de 17,8%, patamar comparável ao dos bancos privados.

“Se o BB conseguir replicar o mesmo desempenho que este nos próximos 3 trimestres (o que é bastante viável) o lucro do banco estaria acima da faixa superior do orientação de 2022 de R$ 26b. Acreditamos que os analistas devem revisar para cima suas projeções em torno de 10% mais próximo do limite superior do guidance”, afirma.

De acordo com XP Investimentoso resultado de Banco do Brasil foi positivo, com lucro acima das estimativas, mesmo com a margem financeira pressionada pelo aumento dos custos de captação associado ao aperto do ciclo monetário.

“Se fizermos um exercício anualizando os números do trimestre, é possível ver que os números estão correndo acima do orientação e vemos uma chance de revisão para cima nas expectativas contidas no consenso de mercado”, afirma.

A Santander também acredita que, se esse desempenho se mantiver ao longo de 2022, o banco poderá alcançar resultados mais próximos do limite superior de seu guidance.

já o Banco da América acredita que os encargos de provisão aumentarão nos próximos trimestres e a NII (taxa de inadimplência) acelerará, auxiliada por melhores spreads, convergindo o lucro líquido para o guidance.

Banco do Brasil
As despesas de pessoal também diminuíram (1% em relação ao quarto trimestre) devido à sazonalidade devido a maiores despesas no final do ano (Imagem: Banco do Brasil/Divulgação)

O Banco do Brasil fez o dever de casa

A Itaú BBA destaca que as despesas administrativas caíram 4% no trimestre, para R$ 8,2 bilhões, praticamente em linha com as estimativas.

O destaque foram as outras despesas administrativas, que encolheram 8% no trimestre, principalmente em função da queda sazonal em marketing e serviços de segurança e transporte.

As despesas com pessoal também diminuíram (1% em relação ao quarto trimestre) devido à sazonalidade devido ao aumento das despesas no final do ano.

“Mais importante, em bases anuais, as despesas administrativas totais cresceram apenas 6%, apesar das fortes pressões inflacionárias no período. A eficiência melhorou para 34,7% de 35,6% no quarto trimestre.”

Taxa padrão dentro do controle

Para Intera queda nas provisões, que encolheu 27,2% no trimestre, em relação aos demais bancos, faz sentido.

“Neste momento, entendemos isso como um movimento um pouco mais arriscado, mas o Banco do Brasil pode fazer isso”.

Os analistas citam duas razões para apoiar esta afirmação:

  1. Cobertura de inadimplência em 90 dias continua alta em 297%, acima da média histórica;
  2. ainda que continuasse no ritmo atual de provisionamento de 75,3% da Formação NPL, consumindo suas reservas, ainda assim, de acordo com as expectativas, o banco terminaria o ano com cobertura acima de 200%;

“Por ser um movimento mais arriscado, a inadimplência do banco deve subir para mais de 3% nos próximos trimestres, o que não esperamos dada a atual qualidade de crédito do BB, mesmo considerando deterioração à frente”, diz.

Na avaliação de ativoo banco continua apresentando indicadores saudáveis, dando confiança para a continuidade de resultados robustos nos próximos trimestres.

ação barata

A excelente lembre-se de que a ação está barata, sendo negociada a uma “mera” avaliação de 0,61x P/VP 22 e 3,97 vezes o preço sobre o lucro (P/L) por 22.

Mas, segundo a corretora, esse múltiplo pode ser ainda menor. “Se usarmos o lucro no topo do guidance de R$ 26 bilhões (para onde o consenso deve migrar), a avaliação cairia para a bagatela de 3,68x P/L 22”, diz.

A Banco Safra destaca que a ação está negociando em um patamar atrativo a 4,1x P/L 22e (44% abaixo da média dos maiores bancos privados e 37% abaixo da média histórica de 5 anos), oferecendo um bom ponto de entrada.

BTGque classificou a ação como uma armadilha de valor, agora diz que o balanço do banco parece muito melhor.

“Cresceu muito menos que seus pares por muitos anos, seu índice de capital (principal) está agora no mesmo nível ou melhor que seus pares e tem uma carteira mais defensiva (menos orientada, com mais agro) do que outros bancos incumbentes, juntamente com grandes reservas para perdas com empréstimos”, argumenta.

Além disso, diz o BTGembora se possa argumentar que a “qualidade dos ganhos” pode não ser a melhor, no caso do BBque é negociado a preços muito baratos, se os lucros vierem e, portanto, os dividendos forem pagos, seu carry se tornará muito poderoso.

“Sempre há riscos em fazer recomendações, mas para nós as ações do Banco do Brasil têm uma valorização muito assimétrica e com inclinação ascendente. Esperamos que as ações continuem superando e sinalizando o BB como nossa Top Pick para 2022″, diz ele.

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