A Gol será controlada por uma empresa no exterior; Alguma coisa muda nas passagens?

A companhia aérea Gol anunciou nesta quarta-feira (11) que será controlada por uma empresa sediada no Reino Unido. O acionista controlador da brasileira, o fundo de investimento em ações móveis, e acionistas do grupo colombiano Avianca assinaram um acordo para a criação do conglomerado empresarial Grupo Abra. As duas companhias aéreas estarão sob o guarda-chuva da holding, mas as operações de cada uma permanecem separadas.

especialistas ouvidos por UOL dizem que esse tipo de acordo é comum para que as empresas reduzam custos, paguem menos impostos e busquem financiamentos mais baratos, principalmente após crises, como a pandemia. Segundo eles, o movimento não altera a concentração do mercado aéreo brasileiro, que continua em alta, e não deve impactar nos preços das passagens. Saiba mais abaixo.

‘A concentração é normal após as crises’

O acordo entre Gol e Avianca segue uma tendência que já ocorreu no Brasil, que é a concentração do mercado. Segundo Edgard Monforte, professor da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, o anúncio é comum e até esperado.

“A concentração de empresas é normal após um período de crise, como a pandemia. A criação desta holding pode ser atribuída à questão da crise sanitária”, diz.

Essa visão é compartilhada por Oswaldo Sansone Rodrigues Filho, professor do curso de Aeroportos da Faculdade de Engenharia Civil do Mackenzie. “Esse movimento acontece, principalmente, por conta da pandemia, pelas dificuldades que as empresas tiveram para manter a saúde financeira. É uma ajuda, um movimento mais empreendedor, uma contribuição que chega para salvar as empresas”, diz.

Segundo especialistas, as fusões ajudam as empresas a ganhar escala e reduzir custos. À medida que crescem, podem negociar melhores custos, como a redução do valor do arrendamento de aeronaves ou com fornecedores.

A Gol também se beneficiará com a mudança de sua sede para o Reino Unido. “Além de pagar menos impostos, é possível fazer operações no mercado financeiro com mais facilidade, com captação de recursos com menor custo”, diz Monforte.

Segundo especialistas, dentre as possíveis vantagens no negócio, destacam-se:

  • Redução de custos com integração de rotas
  • manutenção mais barata
  • Possibilidade de compra de insumos e negociação em conjunto, gerando economia
  • Maior capacidade de negociar os preços dos combustíveis
  • Vantagem fiscal (menos impostos) e melhor acesso aos mercados de capitais devido à mudança para o Reino Unido

Competição prejudicada?

No Brasil, apenas três empresas dominam o mercado de transporte aéreo. São eles, com sua respectiva participação na parcela de passageiros pagos até março de 2022:

  • Latam (34,79%)
  • Objetivo (33,22%)
  • Azul (31,03%)

Para Sansone, a mudança na organização da Gol não deve mudar a princípio a disputa entre as empresas brasileiras.

“O ambiente competitivo não mudou. Não haverá uma nova empresa, já que a Avianca não opera aqui. Portanto, não vejo mudanças no mercado ou no ambiente competitivo”, diz.

A concentração atual, segundo Monforte, pode ser ruim, mas o mercado brasileiro não tem condições de aumentar o número de companhias aéreas que operam aqui.

“A concorrência no setor aéreo é desejável. Mas para ter concorrência como nos Estados Unidos, o país precisaria ter mais aeroportos e slots [horários para pousos e decolagens]. Enquanto não houver mais aeroportos competindo entre si, como lá, não teremos essa competição”, diz.

Isso afetará o preço do ingresso?

O acordo não deve ter impacto nos preços dos ingressos, segundo especialistas, porque o setor ainda enfrenta uma difícil recuperação devido à crise da pandemia e aos altos preços. combustíveis.

Ao mesmo tempo, como a concorrência não deve mudar, também não há pressão baixista sobre os preços.

“O ambiente doméstico no país se mantém, então não vejo nenhuma mudança no mercado ou no ambiente de competição. “, diz Sansone.

Para Monforte, é preciso haver mais concorrência para que os ingressos caiam, o que não é a situação no momento.

Concentração é frequente no setor de aviação no Brasil

A concentração, por meio de fusões e aquisições de empresas, não é necessariamente estranha no mercado brasileiro.

Em entrevistas recentes, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, já havia mencionado essa possibilidade no horizonte do mercado de aviação nacional, dada a queda na demanda.

Um dos casos mais recentes foi a tentativa do Azul para comprar Latam, cuja controladora está em processo de reestruturação nos EUA (Capítulo 11, semelhante à recuperação judicial no Brasil). Mesmo com o apoio de alguns credores do grupo Latam, a negociação não foi concluída devido ao alto valor que a Azul teria que pagar pela aquisição.

Diversas empresas já passaram por esse processo de concentração nos últimos anos. Na última década, a brasileira TAM se fundiu com a chilena LAN, criando a Latam.

Por sua vez, a Gol incorporou a Webjet em um processo que terminou em 2012. Antes, em 2007, a empresa também havia comprado a Varig.

Em 2020, a Azul concluiu a compra da Two Flex, em um negócio no valor de R$ 123 milhões.

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